terça-feira, 21 de maio de 2013

Fizeram a gente acreditar... (Martha Medeiros)


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo,
amor pra valer, só acontece uma vez
acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de
nós é a metade de uma laranja, e que a vida
só ganha sentido quando encontramos a
outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros,
que ninguém em nossa vida merece carregar
nas costas a responsabilidade de completar
o que nos falta: a gente cresce através da
gente mesmo. Se estivermos em boa companhia
é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar que só há uma
fórmula de ser feliz, a mesma para todos,
e os que escapam dela estão condenados
à marginalidade. Não contaram que estas
fórmulas dão errado, frustram as pessoas,
são alienantes, e que podemos tentar outras
alternativas.
Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado
por você mesmo, vai poder ser muito feliz
e se apaixonar por alguém."

domingo, 14 de abril de 2013

Quem Morre? (Martha Medeiros)

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente
Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou 
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, 
Justamente as que resgatam o brilho dos 
Olhos e os corações aos tropeços. 

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz 
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto 
Para ir atrás de um sonho, 
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, 
Fugir dos conselhos sensatos...

Virando a página!

Mudar é sempre bom. Mudar hábitos, principalmente. Tudo que permanece igual se torna enfadonho, tedioso... As coisas precisam se renovar. A vida da gente precisa seguir. Ah como eu gosto dessa palavrinha: mudança. Traz um ar de renovação que muito me agrada. É como se um capítulo se encerrasse e outro começasse.
Acredito sinceramente que  para mudar alguma coisa na vida da gente requer coragem e disposição. E como não está em mim permanecer a mesma, cá estou virando a página. Tudo me leva a crer que o próximo capítulo será bem mais interessante.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O que aconteceu com a gente?

A gente era tão amigo. Tão cúmplice. Tão próximo. O que aconteceu com a gente?
Lembro-me das conversas, das risadas, dos passeios... Das histórias, sempre longas e emocionantes. Dos abraços, então. Sempre apertados e demorados. E das lágrimas, intensamente choradas.
Lembro-me de como era forte nossa ligação. Tão segura e eterna que jamais se perderia. Que jamais se perderia... Mas que se perdeu. O que aconteceu com a gente?
Lembro-me de como nos divertíamos. O tempo passava e a gente nem sentia. Quando estávamos juntos tínhamos todo tempo do mundo. Cada momento era único. Tudo se explicava. Tudo fazia sentido. Mesmo no silêncio nossos corações se entendiam. O que aconteceu com a gente? Morremos em nós mesmos? Matamos um ao outro? Ou aprendemos a viver separados?... É possível que dentro de nós ainda estejamos vivos. Será que algum dia saberemos? Para o nosso bem, espero que sim.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sim, eu me importo!


Você tem noção de quantas pessoas realmente dão atenção aos problemas alheios? Ao que parece são bem poucas. A maioria não está "nem aí" quando se trata do nariz dos outros. Grande parte só se preocupa com as próprias dificuldades. Ninguém tem mais tempo ou paciência para ajudar ou simplesmente ouvir outra pessoa. Ou melhor, quase ninguém. Digo isso porque tenho observado e tenho notado como muitos reagem quando o assunto não envolve suas próprias vidas. Não que o interesse pela vida alheia tenha diminuido. Não, longe disso. As pessoas continuam fofoqueiras e tagarelas. Mas falar da vida dos outros não é o mesmo que ouvir com atenção/interesse e fazer algo que possa de alguma forma acrescentar a vida de tal pessoa.
Se olhar bem não é difícil fazer isso. Principalmente quando se trata de alguém que se gosta. Talvez seja por isso que "amar o próximo" tenha sido colocado como o segundo mandamento na Bíblia, lá em cima quase no topo da lista. Para que fosse percebida a importância e a necessidade de não nos importarmos somente com as nossas próprias vidas.
Eu não estaria aqui, escrevendo a respeito, se realmente não acreditasse no quanto isso é necessário. E longe de mim estar sendo hipócrita! Jamais perderia meu tempo escrevendo sobre algo que não estou aplicando.
Sinceramente? Sim, eu me importo!

sábado, 13 de outubro de 2012

Doce Primavera... (Por Srta Sullivan)

Dia nublado. Chuva fina pela manhã. Vento gelado. Sol à tarde entre nuvens. Noite agradável... Isso é respirar a doce primavera. Poucas pessoas negariam que esta é sua estação favorita. Não precisa ser um romântico declarado para apreciá-la. Não precisa ser um expert em flores para admirá-la. A primavera é encantadora por si só. De uma beleza inspiradora e alegre. Te faz querer assoviar, andar saltitando pela rua, cumprimentar desconhecidos pelas calçadas da vida... Te faz querer se apaixonar. Ou dividir um momento especial com alguém.
A primavera é mesmo apaixonante. Traz consigo um gostinho doce de vida no campo. Exibe um curioso olhar de criança, prestes a descobrir um novo amanhecer. Oferece-nos uma liberdade delicada de borboleta. Nos inebria com sua exuberante beleza.
Que cada amanhecer nos traga novas possibilidades para que possamos aproveitar esta doce estação.

domingo, 5 de agosto de 2012

A Arte de Ser Feliz (Cecília Meireles)



Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser
feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma
época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas
todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com
a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie
de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as
plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e
meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o
jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças
que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e
fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como
refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de
Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo
está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto
completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades
certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não
existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e
outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.