segunda-feira, 5 de abril de 2010

Todo mundo merece uma segunda chance?


Muito foi dito, muito foi polemizado, muito foi especulado sobre o recente vencedor do BBB10, Marcelo Dourado. Mais do que polêmico, Marcelo foi um grande estrategista, impecável jogador e contou um pouco com uma certa ajuda da sorte. Talvez isso o tenha feito ganhar o jogo, e é claro, o favoritismo do grande público; sua habilidade em jogar. Mas isso não foi o que mais me fez percebê-lo em ação.
Não acompanhei muito esse BBB10, mas o que vi me possibilitou enxergar qualidades em um ser humano, apesar de suas falhas e ignorância em determinados assuntos.
Então, vâmo lá? O que me chamou a atenção nesse "Ogro domesticado"?
Primeiro, logo no início do jogo fiquei muito impressionada por vê-lo chorar. Quem me conhece sabe que não resisto ao choro de um homem. Ainda mais quando este chora por ter sido rejeitado. De verdade, deu vontade de acolhê-lo, colocar no colo, abraçar, essas coisas, que de bom grado fez a Lia.
Segundo, seu espírito de vencedor. Nem de longe qualquer outra pessoa na casa do BBB tinha explícita no olhar a ânsia pela vitória. Não apenas por necessidade ou sonho a realizar, mas também para a sua própria superação. E como pequena esportista que sou bem sei que tal ânsia é NATA em um atleta, que dirá em um samurai.
Terceiro e não menos importante, foi "dito" a ele, meio como um pré-aviso: VOCÊ TERÁ UMA SEGUNDA CHANCE. NÃO A DESPERDICE!
O que faz de nós merecedores de uma segunda chance? O que nos torna capacitados para recebê-la? O que seria:
- As grandes burradas que cometemos ao longo da vida e que lutamos inutilmente para consertar?
- A necessidade de andar de cabeça erguida por tentarmos e tentarmos dar o nosso melhor sempre?
- A humildade com que lidamos com os problemas da vida mesmo quando somos esmagados por eles?
- A coragem por dar a cara para bater mesmo sabendo que a vida não será nem um pouco amigável?
- Simplesmente perder a fé?
Qualquer que seja a razão que nos faça merecer uma segunda chance não anula a razão que fez de Marcelo Dourado um merecedor.
Não estou aqui nem para fazer dele um heroi nem para torná-lo o vilão da história. Até porque não estou levando nem um centavo do 1,5 milhão que ele ganhou, e, sua vida em si (seus ideais, suas escolhas, a quantidade exorbitante de palavrões que fala, suas tatoos polêmicas, ou sua orientação sexual) não me diz respeito. Não tenho nada a ver com isso, apesar de ter, sim, uma opinião sobre, mas, nas palavras de C.B Jr: "eu estou aqui pra aprender, não pra julgar".
Percebi que, as marcas levemente cicatrizadas na sua alma faz com que lembremos de nossas próprias feridas. Sua capacidade de sempre se reerguer, como bom lutador que é, depois de cair de cara inúmeras vezes não o impediu de se jogar. Pelo contrário, fez com que seu voo fosse ainda mais plano e mais alto. As várias tentativas na decolagem permitiram a ele uma experiência que só se adquire quando se tenta, quando se tenta muito.

É por isso que eu sempre digo: SE JOGA!!!


PS: TER POSTADO ESSE TEXTO AQUI NÃO FAZ DE MIM UMA HOMOFÓBICA OU FAZ?!?!?! o.O

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pés Cansados (Sandy Leah)



Fiz mais do que posso
Vi mais do que aguento
E a areia nos meus olhos
É a mesma
Que acolheu minhas pegadas

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você
Pra você.

Eu lutei contra tudo
Eu fugi do que era seguro
Descobri que é possível
Viver só
Mas num mundo sem verdade

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você, pra você.

Sem medo de te pertencer
Voltam pra você.

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você.

Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados
Voltam pra você
Pra você.



*(Orgulho dessa guria, canção linda! Ameiii)

domingo, 28 de março de 2010

Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti)


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti in "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sei lá...


Hoje eu acordei com uma vontade louca de postar alguma coisa produtiva aqui no blog, sei lá porque, no pequeno intervalo entre pensar no que escrever e finalmente escrevê-lo houve uma mutação no pensamento.
Não raro essas coisas acontecem comigo. Sou do tipo de pessoa que pensa em fazer as coisas e que acaba não fazendo se paro para pensar sobre elas. Fico viajando sobre o tempo que vai levar, se é mesmo importante, o que eu vou ganhar ou perder com isso, quanto me cansarei, etc. Daí por chegar a conclusão de que não é tão necessário assim, ela fica para depois. Mas não sou assim o tempo todo.
Quantas vezes me peguei fazendo coisas que nunca tinha pensado em fazer... Talvez por isso tenham finalmente se concretizado. Agir sem um plano de ação é muito mais emocionante, mas bem mais arriscado. E eu sou por natureza uma pessoa pragmática. Não sei me jogar sem saber onde estou pisando.
Quando a gente para pra pensar nos prós e contras a gente acaba se travando. Não digo que seja ruim agir assim, pelo contrário, é até muito prudente, mas às vezes perde-se oportunidades por excesso de prudência. Então meu amigo, se joga! Nem sempre é necessário parar pra pensar em como se jogar, se irá cair de cara ou não, mas a verdade é que apenas sentir as coisas como elas são já contribui para que o universo conspire a favor. Sei lá...

sábado, 13 de março de 2010

Simplesmente eu, Clarice Lispector


Finalmente tive a minha tão sonhada oportunidade de ficar "face to face" com "Clarice Lispector".
Ontem fui ao teatro Sesi, em D. de Caxias, assistir a mais magnífica peça de todos os tempos; Simplesmente eu, Clarice Lispector.
Para os amantes desta tão saudosa escritora não é difícil imaginar como a gente sai do teatro depois de 1h (apenas) de espetáculo.
A atriz é incrível! Definitivamente Beth Goulart nasceu para interpretar Clarice Lispector. A postura, as roupas, o penteado, o jeito de falar, a maneira como segura o cigarro, os olhares, tudo! Até a língua presa, que eu confesso não saber que ela tinha (sempre achei que fosse sotaque).
Um texto lindo (de autoria da prórpia escritora). Quatro personagens maravilhosas. Não tem como não se identificar ao menos com uma delas. Joana [de Perto do Coração Selvagem], Ana [do conto Amor], Lóri [de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres] e a mulher anônima [da crônica Perdoando Deus].

Quem tiver a oportunidade de ir assistir, permita-se! Se joga! Vale muito a pena. Não só a pena, a galinha inteira!rs Mas agora, só no centro do Rio.
Permita-se rir, chorar, terminar as frases conhecidas antes da própria "Clarice"...
Fica a dica!

quinta-feira, 11 de março de 2010

I (L) SP


No último fim de semana viajei com minha mãe e vários amigos para uma cidadezinha encantadora no "interior" de São Paulo. Cesário Lange era o nome do lugar.
Para as pessoas que me conhecem e reconhecem minha grande paixão pela vida no campo, fica fácil saber como eu me senti estando, ainda que por poucos dias, num lugar assim. Muito mais feliz do que pinto no lixo, como diria minha irmã.
A vida no interior tem atrações naturais, o que muito me agrada. E para minha plena felicidade, tinha chuveiro elétrico! Pronto, daí eu estava feita. Completamente à vontade.
O curioso é que não choveu lá. São Paulo é um lugar conhecido por viver submerso e presenciar justamente o contrário é um marco histórico na vida de qualquer um. Mas curioso ainda foi voltar pro Rio e saber que o dilúvio de Sampa rolou aqui. Quem diria...
Vale lembrar que quando chegamos lá, sim, estava chovendo. Mas era a garoa de sempre, que todo mundo conhece. O que foi surpresa foi o sol brilhar pra gente horas depois. Mais surpresa ainda eu fiquei quando, consequentemente, comecei a sentir calor. Me senti, mais uma vez, em casa.
Confessarei que não me senti nem um pouco em casa com o frio da noite. Na verdade, nenhum carioca se sentiu à vontade. E fomos claramente identificados porque nenhum paulista andava agasalhado como nós. Nossa maneira de nos vestir é bem diferente da deles - já acostumados com a noite fria.
Não acho necessário comentar o sotaque dos paulistas porque vocês já fazem ideia de como é. Também nem preciso dizer que a articulação deles não é muito clara e isso faz com que você peça para a caixa do supermercado repetir 3 vezes a mesma frase até que você claramente a entenda. Não contarei também que mesmo no interior você acha muitas pessoas de estilo alternativo. E por mais que você queira fugir da confusão que é a cidade grande, é super estranho passar pela praça mais movimentada de um lugar e não ver sequer uma pizzaria, ou churrascaria, ou lanchonete, ou um boteco na esquina. Tudo o que você encontra aberto são: mercados, drogarias e uma sorveteria.
Mas também, o que eu podia esperar? Eu estava no "interior", em meio a muito verde, rios, árvores, respirando ar puro, livre, leve e solta! Isso já foi o suficiente para me deixar feliz.
Hoje, dias depois, ainda sinto o cheiro da grama. Estranho, né? rs

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A M I G O S !


A vida da gente é mesmo imprevisível, não é? Uma hora está calma como um lago, outra hora está enlouquecida e agitada como uma forte tempestade. E entre um agito e outro surge em nossas vidas aquele tipo de pessoa que todo mundo quer ter por perto; amigos...

Amigos são pra toda vida. Impossível recusá-los. Ninguém recusa amigos. Ou recusa? Por mais diferentes que sejam de nós, é sempre produtivo aprender, crescer e envelhecer com eles. São os nossos grandes e verdadeiros amores. Pessoas que estão com a gente pro que der e vier.

Quando decidimos ser amigo de alguém, é como se estivéssemos declarando ao mundo que a partir de então faremos parte da vida dessa pessoa até que a morte nos separe. E nem é preciso prometer isso diante de um juiz de paz, de um padre ou pastor.

Amigos nos aceitam do jeito que somos, nos apoiam em todos os momentos de nossas vidas e se fazem presentes sempre que precisamos. Mais do que fiéis, são leais escudeiros. Nos amam por dentro e por fora, com todos os nossos defeitos e qualidades. Dizem a verdade na nossa cara como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mesmo quando tudo indica que não a aceitaremos bem. São honestos, são companheiros, nos ouvem com atenção mesmo quando repetimos a história umas mil vezes. Nos aturam de verdade! Porque não é fácil nos aturar. Mas só eles sabem que não importa o que façamos ou digamos, no fundo, por mais tortas que sejam nossas palavras, não era exatamente aquilo o que queríamos dizer.

Nunca cobram o nosso melhor, mas acreditam sinceramente que somos capazes de dá-lo. Sabem que muitas vezes é preciso nos dar bronca, mas fazem isso sem que nos sintamos magoados. Nos trazem pra realidade quando ninguém mais consegue. Perdoam as nossas falhas de carater, desculpam as nossas exaltações, entendem os nossos motivos. Lidam com a gente como uma mãe afetiva e amorosa. Nos corrigem. Nos aconselham. Nos consolam... Nos divertem como ninguém. Sabem lidar com a gente mesmo quando estamos insuportáveis. Gostam da nossa companhia mesmo quando estamos de mau humor. Nos perturbam na mesma proporção que nós a eles, mas fazem isso com mais jeito e simpatia. Sempre sabem o que dizer, mesmo quando não há nada a ser dito. São tudo o que a gente espera e mais um pouco.

Amigos são, sim, irmãos nascidos para quando há aflição!