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domingo, 10 de abril de 2016

Amizade 3 em 1


No último ano conheci uma menininha linda por quem me apaixonei. Não digo paixão no sentido romântico da palavra, mas no sentido de uma predileção acentuada. Em pouco tempo ganhei dela a grata alegria em saber que tamanho sentimento era recíproco! Mas grata ainda fiquei quando dei por mim quão rara e bela é esse tipo de amizade que passamos a desenvolver. Eu, que sempre gostei de fazer novos amigos, me vi pela primeira vez vivenciando um tipo diferente de amizade. Não era apenas uma amizade fraternal, como se tem por um amigo que se torna um irmão. Era mais terna que isso, mais afetiva. Era maternal também, como o amor de uma mãe por uma filha. Uma mãe muito carinhosa, cuidadosa, que orienta e protege. Uma mãe que se torna amiga e irmã. Uma amizade 3 em 1. Dizendo assim talvez seja meio complicado de entender. Mas assim cresceu essa amizade. Tornei-me mãe, irmã e amiga de uma só pessoa.
Desenvolver uma amizade desse tipo é uma responsabilidade um tanto pesada, mas ao mesmo tempo muito prazerosa. Faz com que nos esforcemos mais, nos doemos mais. Faz com que nos importemos verdadeiramente com o outro, na maioria das vezes, mais do que com nós mesmos.
A humildade é intensamente trabalhada. E a paciência é testada até a última gota! Para quem tem problema de orgulho, ele acaba perdendo a vez sem você perceber. E isso é ótimo! Porém, o mais legal, é que numa amizade assim nós crescemos. Mais do que isso, nós entendemos o verdadeiro sentido do que é ser amigo de alguém.... É se doar por inteiro!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Essência (Por Srta Sullivan)


Intensa! Uma pessoa dominada pelos próprios sentimentos. Porém, surpreendentemente racional. No rosto trazia um olhar de menina, doce e agradável. No peito, a esperança de alcançar uma vida plena e feliz. E no coração, algumas marcas que a ensinaram a ver a vida com outros olhos.
Tinha sonhos e queria realizá-los. Quando percebeu que tudo que desejava era possível, foi em busca de seus objetivos, mas sem tirar os pés do chão. E nem os obstáculos no caminho eram motivos para ela desistir. Muito pelo contrário, a impulsionaram para ir além.
Embora fosse uma moça de pouca idade, carregava dentro de si uma maturidade que aprendeu na marra, com a vida, Seu coração grande e amável havia abrigado pessoas que não eram dignas dele e isso lhe causou algumas decepções. Mas mesmo tendo sua confiança traída, ela sequer deixou de confiar no ser humano. Seu coração estava sempre aberto para abrigar novos hóspedes.
Qualquer ser humano normal, no mínimo, se fecharia como uma ostra e se pouparia do risco de viver novas decepções. Mas ela não era normal. Era uma espécie rara, dessas que só se conhece uma vez na vida, e isso se você estiver no lugar certo, na hora certa.
Sua paixão pela vida lhe permitia correr o risco de se relacionar com quase desconhecidos. E foi essa entrega arriscada que lhe trouxe pessoas queridas e confiáveis. Pessoas que ela já não sabia mais viver sem. Justo ela que tão cedo aprendeu o que era traição, também tão cedo aprendeu o que era ter sua confiança verdadeiramente honrada.
Talvez se tivesse se fechado jamais descobriria o que é ter amigos de verdade. Talvez se tivesse se fechado jamais conheceria o verdadeiro significado da palavra fé. Talvez se tivesse se fechado jamais recuperaria sua essência* tão linda e que conquista a todos à sua volta.

Nota: dedico este texto a uma querida amiga que me serviu de inspiração para tal.

*essência: aquilo que é o mais básico, o mais central, a mais importante característica de um ser ou de algo.

domingo, 12 de abril de 2015

Coração Sem Armadura (Por Srta Sullivan)


Seu sobrenome era 'força', pois tamanha era a força que possuía dentro de si. Já a coragem lhe faltava às vezes, mas sabia disfarçar. Trazia no peito um sentimento profundo, porém pouco conhecido; o medo. Medo de amar e não ser amada. Medo de ferir os à sua volta. Medo de ser dura ao extremo. Medo de não conseguir perdoar. Medo de não ter um final feliz... Mas quem quer apenas um final feliz? Ela queria mais do que isso. Queria ser feliz por inteira, pela vida inteira!

Sabia que o medo precisava ser vencido, mas que sozinha talvez não conseguisse. Mesmo assim resolveu arriscar. Reuniu forças, criou coragem e foi à luta. Devido às circunstâncias ela começou a se entregar mais, se alargar mais. E gostou do modo como passou a se sentir. Ser mais aberta lhe custava um pouco, mas não ser lhe custava bem mais.

Sabendo os riscos que um coração sem armadura poderia correr, se sentiu insegura e se protegeu como pôde. Mesmo sem saber se tal proteção seria realmente necessária, ainda assim manteve o coração aberto. E para a sua alegria, isso lhe rendeu amizades leais. Pessoas que estariam sempre ao seu lado. No entanto, o amor continuou longe de vista, mas ela aprendeu a esperar por ele. Mesmo levando mais tempo que o necessário, com ou sem amor, ela se tornou mais segura, mais corajosa, e muito mais feliz.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música!


"Sem música, a vida seria um erro" - Friedrich Nietzsche
Uma nota. Um acorde. Um tom. Um ritmo. Um timbre. Um som. Qualquer coisa que se resuma a música faz a minha alegria. E quem não gosta de música?
Pode ser lenta, frenética, mixada, dedilhada. Qualquer gênero ou ritmo, ela faz a alegria da massa.
A vida da gente é regida por música. Pense bem e verá que é, sim.
Quando você está de bom humor, qual é a primeira coisa que você faz? Cantarola uma canção. Muitas vezes, involuntariamente. E se alguém te ouve cantarolando, essa pessoa continua da parte em que você parou. Isso acontece muito.
Acredito que temos trilha sonora para cada fase de nossas vidas. Trilha esta que toma conta de cada momento marcante. Além do mais, a música tem o poder de unir as pessoas. Quantas pessoas você conhece ou conheceu a partir de uma música/banda/cantor que gostava? Eu me declaro totalmente culpada! Conheço várias pessoas que não tinham nada a ver comigo e passaram a ter justamente por curtirem músicas que eu amo.
Daí você pensa: "mas como 'fulano' pode conhecer essa banda e essa música? Ele não tem cara de quem ouve esse estilo de música". E você passa a enxergar tal pessoa quando descobre que a sua música favorita é a dela também. E que ambas tem bom gosto. E você só se permite descobrir mais por, coincidentemente, curtirem o mesmo som.
Sendo assim, agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para o meu bom gosto musical. E aos meus cantores favoritos por facilitarem o processo. =)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Frases

Existem frases que marcam a vida da gente, não é mesmo? Eu, que sou amante da escrita, me pego, quase sempre, citando frases que ouvi numa música, num filme ou numa série de TV.

Daí hoje, lembrando de uma delas, fiz uma pequena seleção dentre tantas e resolvi postá-las aqui. Quem sabe você não encontre uma que também seja especial para você.


"Conheci vários homens que queriam dominar o mundo, mas nunca conheci um que queria salvá-lo." (Lois Lane, Smallville)

"Senhores, a única forma de alcançar o impossível é pensar que é possível." (Alice no País das Maravilhas)

"A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena." (Chaves)

"Ao infinito e além!" (Toy Story)

"Venha comigo se quiser viver." (O Exterminador do Futuro)

"Voce não deveria FERIR aquilo que não consegue MATAR!" (Lex Luthor - Smallville)

"As garotas flertam com os cafajestes, mas é com o bonzinho que se casam…” (Jean Grey - X-Man)

"Eu, uma princesa? Cala a boca!" (Mia - O Diário da Princesa)

"Para lutar contra o homem, inventamos o Rock 'N Roll. Mas o homem destruiu isso com uma coisinha chamada MTV". (Dewey Finn - Escola de Rock)

"Wilsooooooooon!" (Chuck Noland - Naufrago)







domingo, 14 de novembro de 2010

Não foi dessa vez Brasil, mas valeu!


ISSO É BRASIL! (PARABÉNS MENINAS, PELA PRATA!)



CONCENTRAÇÃO



COMPANHEIRISMO



ALEGRIA



FORÇA



AGILIDADE



GARRA



DETERMINAÇÃO



terça-feira, 10 de agosto de 2010

Think About...

Sabe, de vez em quando bate uma vontade de fazer as coisas acontecerem já, exatamente agora. Mas se pensamos um pouco sobre, esperamos, esperamos e adiamos, como se não fosse tão fundamental o breve momento. Num estante queremos abraçar o mundo. No outro, queremos descer dele.
A propósito, se alguém conseguir, por favor, pare o mundo porque eu quero descer. Neste instante eu quero muito descer, ficar um tempo fora e depois voltar para recomeçar. Mas não é possível assim. Nem tão fácil nem possível...

domingo, 25 de julho de 2010

Clarice Lispector entrevista Chico Buarque/Xico Buark


Esta grafia, Xico Buark, foi inventada por Millôr Fernandes, numa noite no Antônio’s. Gostei como quando brincava com palavras de crianças. Quanto ao Chico, apenas sorriu um sorriso duplo: um por achar engraçado, outro mecânico e tristonho de quem foi aniquilado pela fama. Se Xico Buark não combina com a figura pura e um pouco melancólica de Chico, combina com a qualidade que ele tem de deixar os outros o chamarem e lê vir, com a capacidade que tem de sorrir conservando muitas vezes os olhos verdes abertos e sem riso.

Ele não é de modo algum um garoto, mas se existisse no reino animal um bicho pensativo e belo e sempre jovem que se chamasse Garoto, Francisco Buarque de Holanda seria da raça montanhesa dos garotos.

Marcamos encontro às quatro horas porque às cinco Chico tinha uma lição de música com Vilma Graça. Há um ano está estudando teoria musical e agora começará com o piano. Estávamos os dois na minha casa e a conversa transcorreu sem desentendimentos, com uma paz de quem enfim volta da rua.

Clarice Lispector: Você viveu ainda tão pouco que talvez seja prematuro perguntar-lhe se você teve algum momento decisivo na vida e qual foi?

Chico Buarque de Hollanda: Eu sou ruim para responder. Na verdade tive muitos momentos decisivos, mas creio que ainda sou moço demais para saber se eram de fato decisivos esses momentos. No final de contas não sei se eles contaram ou não.

CL: Tenho a impressão que você nasceu com a estrela na testa: tudo lhe correu fácil e natural como um riacho de roça. Estou certa se para você não é muito laborioso criar?

CBH: E não é. Porque às vezes estou procurando criar alguma coisa e durmo pensando nisso, acordo pensando nisso – e nada. Em geral eu canso e desisto. No outro dia a coisa estoura e qualquer pessoa pensaria que era gratuita, nascida naquele momento. Mas essa explosão vem do trabalho anterior inconsciente e aparentemente negativo. E como é seu trabalho?

CL: Vem às vezes em nebulosa sem que eu possa caracterizá-lo de algum modo. Também como você, passo dias ou até anos, meu Deus, esperando. E, quando chega, já vem em forma de inspiração. Eu só trabalho em forma de inspiração.

CBH: Até aí eu entendo, Clarice. Mas a mim, quando a música ou a letra vem, parece muito mais fácil de concretizar porque é uma coisa pequena. Tenho impressão de que se me desse idéia de construir uma sinfonia ou um romance, a coisa ia se despedaçar antes de estar completa.

CL: Mas Chico, aí é que entra o sofrimento do artista: despedaça-se tudo e a gente pensa que a inspiração que passou nunca mais há de vir.

CBH: Se você tem uma idéia para um romance, você sempre pode reduzi-lo a um conto?

CL: Não é bem assim, mas, se eu falar mais, a entrevistada fica sendo eu. Você, apesar de rapaz que veio de uma grande cidade e de uma família erudita, dá a impressão que se deslumbrou, deslumbrando os outros com sua fala particular. O que quero dizer é que você, ao ter crescido e adquirido maior maturidade, deslumbrou-se com as próprias capacidades, entrou numa roda-viva e ainda não pôs os pés no chão. Que é que você acha: já se habituou ao sucesso.

CBH: Tenho cara de bobo porque minhas reações são muito lentas, mas sou um vivo. Só que por os pés no chão no sentido prático me atrapalha um pouco. Tenho, por exemplo, uma pessoa que me explica um contrato e não consigo prestar atenção em certas coisas. O sucesso faz parte dessas coisas exteriores que não contribuem nada para mim. A gente tem a vaidade da gente, a gente se alegra, mas isso não é importante. Importante é aquele sofrimento com que a gente procura buscar e achar. Hoje, por exemplo, acordei com um sentimento de vazio danado porque ontem terminei um trabalho.

CL: Eu também me sinto perdida depois que acabo um trabalho mais sério.

CBH: Tenho uma inveja: meu trabalho de música está exposto a um consumo rápido e eu praticamente não tenho o direito de ficar pensando numa idéia muito tempo.

CL: Talvez você ainda mude. Como é que Villa-Lobos criava? Seria interessante para você saber.

CBH: Sei alguma coisa. Por exemplo, uma frase dele que Tom Jobim me contou: diz que Villa-Lobos estava um dia trabalhando na casa dele e havia uma balbúrdia danada em volta. Então o tom perguntou: como é, maestro, isso não atrapalha? Ele respondeu: o ouvido de fora não tem nada a ver com o ouvido de dentro. É isso que invejo nele. Gostaria muito de não ter prazo para entrega das músicas, e não fazer sucesso: você gostaria, por exemplo, de sair para a rua e começar a dar autógrafo no meio da rua mesmo?

CL: Detestaria, Chico. Eu não tenho, nem de longe, o sucesso que você tem, mas mesmo o pequeno que eu tenho às vezes me perturba o ouvido interno.

CBH: Então estamos quites

CL: Todas as mães com filhas em idade de casar consentiriam que casassem com você. De onde vem esse ar de bom rapaz? Acho, pessoalmente, que vem da bondade misturada com bom-humor, melancolia e honestidade. Você também tem o ar de quem é facilmente enganado: é verdade que você é crédulo, ou está de olhos abertos para os charlatões?

CBH: Não é que eu seja crédulo, sou é muito preguiçoso.

CL: O que é que você sentiu quando o maestro Karabtchevsky dirigiu “A Banda” no Teatro Municipal?

CBH: Claro que gostei, mas o que me interessa mesmo é criar. A intenção de Karabtchevsky foi das melhores, inclusive corajosa. Eu quero ver ainda a coisa se repetir com outros compositores populares.


CL: Você foi precoce em outras manifestações da vida? Fale sem modéstia.

CBH: Não, tudo que fiz como garoto é de algum modo ligado com o que eu faço hoje, isto é, versinhos.

CL: Você quer fazer um versinho agora mesmo? Para você não se sentir vigiado, esperarei na copa até você me chamar.

Chico riu, eu saí, esperei uns minutos até ele me chamar e ambos lemos sorrindo:

Como Clarice pedisse

Um versinho que eu não disse

Me dei mal

Ficou lá dentro esperando

Mas deixou seu olho olhando

Com cara de Juízo Final.

CL: A banda lembra música de nossos avós cantarem: tem um ar saudoso e gostoso de se abrir um livro grosso e encontrar dentro uma flor seca guardada exatamente para durar. De onde você tirou essa modinha tão brasileira? Qual a fonte de inspiração?

CBH: Não sei não, é uma coisa difícil de conscientizar. Lembro da banda mesmo não tendo vivido no interior, mas atrás da minha casa tinha um terreno baldio onde às vezes havia circo, parque de diversões, essas coisas.

CL: Vi você na primeira passeata pela liberdade dos estudantes. Que é que você pensa dos estudantes do mundo e do Brasil em particular?

CBH: No mundo é para mim difícil falar, mas aqui no Brasil eu sinto em todos os setores um apodrecimento e a impossibilidade de substituição senão por mentalidade completamente jovens e ainda inatingidas por essa podridão. Aqui no Brasil só vejo esta liderança. Um rapaz do “New York Times” entrevistou-me e perguntou: está bem, vocês não querem censura nem repressão nem os métodos arcaicos de educação: mas se vocês ganharem, quem vai substituir as autoridades? Por incrível que pareça, o mundo político está envolvido por essa decadência e acomodação. E você? Eu também te vi na passeata.

CL: Fui pelos mesmos motivos que você. Mudando de assunto, Chico, você já experimentou sentir-se em solidão? Ou sua vida tem sido sempre esse brilho tão justificado? Chico, um conselho para você: fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa.

CBH: Também acho e sempre que posso faço a minha retirada.

CL: Na música chamada clássica, apesar dela englobar compositores aos quais o classicismo não poderia ser aplicado, nessa música o que você prefere?

CBH: Aí não é questão de preferência, é costume para mim. Tenho sempre à mão um Beethoven.

CL: Sua família preferia que você seguisse a vocação de outros talentos seus que em aparência, pelo menos, são mais asseguradores de um futuro estável?

CBH: No começo sim. Logo que entrei para a arquitetura, quando comecei a trocar a régua “T” pelo violão, a coisa parecia vagabundagem. Agora (sorri) acho que já se conformaram.

CL: Você está compondo agora alguma coisa e com letra sua mesma? Sua letra é linda.

CBH: Estou na fase de procura. Ontem acabei um trabalho que era só de música, que exigia prazo. Para uma canção nova, eu estou sempre disponível.

CL: No domínio da música popular, quem seria por sua vez o seu ídolo?

CBH: Muitos, e é por isso que é difícil citar.

CL: Seu pai é um grande pai. Quem mais na sua família eu chamaria de grande, se conhecesse?

CBH: Minha mãe, apesar de ter um metro e cinqüenta e poucos de altura. Eu li muito e papai sempre me estimulava nesse sentido.

CL: Qual é a coisa mais importante do mundo?

CBH: Trabalho e amor.

CL: Qual é a coisa mais importante para você, como indivíduo?

CBH: A liberdade para trabalhar e amar.

CL: O que é o amor?

CBH: Não sei definir, e você?

CL: Nem eu.

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In LISPECTOR, Clarice. Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007, pp.99-104.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

MANUSCRITO


Passei os últimos dias ouvindo o novo CD da SANDY LEAH e é um grande motivo de orgulho dizer que as canções estão I N C R Í V E I S ! ! !

Eu, que acompanho a carreira dela desde que me entendo por gente, na verdade, até mesmo bem antes disso, acho notória a evolução dela como artista e principalmente como pessoa.

Me parece que aos 27 anos de vida e 20 de carreira, Sandy se deparou como várias das respostas que vinha buscando. E o que muito me alegra é a maneira como ela deixa transparecer isso. E as canções evidenciam, sim, essa nova fase que ela está vivendo.

É óbvio que sou super suspeita para falar da SANDY LEAH LIMA. Até porque alimento por ela um carinho imenso e aprecio muito o trabalho dela, além de me identificar pra caramba com ela, como pessoa, com respeito a algumas atitudes, alguns pensamentos, a maneira de ver as coisas, quase sempre pelo mesmo olhar, enfim... Por tudo isso pode parecer parcial o meu conceito sobre essa cantora. Mas não é, não. Bem, eu me esforço muito para que não seja.

Confesso que quando paro para ouvir Manuscrito, me pego fazendo as mesmas perguntas que ela e chegando as mesmas conclusões.

As canções estão lindas, com arranjos super clássicos, tendo o piano como base para várias músicas. Eu amei! É impossível ouvir o CD sem citar algumas faixas que ficam na mente. Por exemplo, a canção 'Duras Pedras' traz uma frase que diz tudo; "Viver tem suas mortes". Já a canção 'Dias iguais' além de quase me fazer chorar cita; "Dias iguais são como rio correndo pra trás. Não deságua em nenhum lugar". 'Ela/Ele' e 'Perdida e salva' são as mais românticas, que por sinal são fofas. As mais reflexivas são 'Pés cansados', 'O que faltou ser', 'Quem eu sou' e 'Tão Comum' que são minhas favoritas. Mas uma que eu amo demais cantar é 'Sem Jeito'. Essa, para mim, é a mais show de todas!

Então só para se ter o gostinho do que eu quis dizer quando resolvi postar esse texto, segue-se a letra da canção Tão Comum, que reflete essa nova Sandy.



Tão Comum

Se você me perguntar o que é que eu tô fazendo
Eu digo que não sei
Se você me perguntar o que eu quero do futuro
Eu digo que não sei

Só sei que eu espero que a vida me mande algo bom
Só sei que eu não quero cantar minha trilha fora do tom

Tão comum
Se arriscar sem saber cem por cento se é bom
Tão comum
Sonhar mais alto do que se pode crer
Tão comum
Errar ao conjugar o verbo querer
Tão comum
Errar, errar e errar de novo

Se a consciência me chamar disser que eu não posso
Eu digo que não sei
Assumo os meus desejos, tento saciar a sede
Daquilo que nem sei

Só sei que eu espero que a vida me mande algo bom
Só sei que eu não quero cantar minha trilha fora do
tom

Tão comum
Se arriscar sem saber cem por cento se é bom
Tão comum
Sonhar mais alto do que se pode crer
Tão comum
Errar ao conjugar o verbo querer
Tão comum
Errar, errar e errar de novo

Tantas perguntas a responder
O que é certo? O que é bom e o que é real?
Antes de dar resposta
É preciso aprender a perguntar

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Todo mundo merece uma segunda chance?


Muito foi dito, muito foi polemizado, muito foi especulado sobre o recente vencedor do BBB10, Marcelo Dourado. Mais do que polêmico, Marcelo foi um grande estrategista, impecável jogador e contou um pouco com uma certa ajuda da sorte. Talvez isso o tenha feito ganhar o jogo, e é claro, o favoritismo do grande público; sua habilidade em jogar. Mas isso não foi o que mais me fez percebê-lo em ação.
Não acompanhei muito esse BBB10, mas o que vi me possibilitou enxergar qualidades em um ser humano, apesar de suas falhas e ignorância em determinados assuntos.
Então, vâmo lá? O que me chamou a atenção nesse "Ogro domesticado"?
Primeiro, logo no início do jogo fiquei muito impressionada por vê-lo chorar. Quem me conhece sabe que não resisto ao choro de um homem. Ainda mais quando este chora por ter sido rejeitado. De verdade, deu vontade de acolhê-lo, colocar no colo, abraçar, essas coisas, que de bom grado fez a Lia.
Segundo, seu espírito de vencedor. Nem de longe qualquer outra pessoa na casa do BBB tinha explícita no olhar a ânsia pela vitória. Não apenas por necessidade ou sonho a realizar, mas também para a sua própria superação. E como pequena esportista que sou bem sei que tal ânsia é NATA em um atleta, que dirá em um samurai.
Terceiro e não menos importante, foi "dito" a ele, meio como um pré-aviso: VOCÊ TERÁ UMA SEGUNDA CHANCE. NÃO A DESPERDICE!
O que faz de nós merecedores de uma segunda chance? O que nos torna capacitados para recebê-la? O que seria:
- As grandes burradas que cometemos ao longo da vida e que lutamos inutilmente para consertar?
- A necessidade de andar de cabeça erguida por tentarmos e tentarmos dar o nosso melhor sempre?
- A humildade com que lidamos com os problemas da vida mesmo quando somos esmagados por eles?
- A coragem por dar a cara para bater mesmo sabendo que a vida não será nem um pouco amigável?
- Simplesmente perder a fé?
Qualquer que seja a razão que nos faça merecer uma segunda chance não anula a razão que fez de Marcelo Dourado um merecedor.
Não estou aqui nem para fazer dele um heroi nem para torná-lo o vilão da história. Até porque não estou levando nem um centavo do 1,5 milhão que ele ganhou, e, sua vida em si (seus ideais, suas escolhas, a quantidade exorbitante de palavrões que fala, suas tatoos polêmicas, ou sua orientação sexual) não me diz respeito. Não tenho nada a ver com isso, apesar de ter, sim, uma opinião sobre, mas, nas palavras de C.B Jr: "eu estou aqui pra aprender, não pra julgar".
Percebi que, as marcas levemente cicatrizadas na sua alma faz com que lembremos de nossas próprias feridas. Sua capacidade de sempre se reerguer, como bom lutador que é, depois de cair de cara inúmeras vezes não o impediu de se jogar. Pelo contrário, fez com que seu voo fosse ainda mais plano e mais alto. As várias tentativas na decolagem permitiram a ele uma experiência que só se adquire quando se tenta, quando se tenta muito.

É por isso que eu sempre digo: SE JOGA!!!


PS: TER POSTADO ESSE TEXTO AQUI NÃO FAZ DE MIM UMA HOMOFÓBICA OU FAZ?!?!?! o.O

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A M I G O S !


A vida da gente é mesmo imprevisível, não é? Uma hora está calma como um lago, outra hora está enlouquecida e agitada como uma forte tempestade. E entre um agito e outro surge em nossas vidas aquele tipo de pessoa que todo mundo quer ter por perto; amigos...

Amigos são pra toda vida. Impossível recusá-los. Ninguém recusa amigos. Ou recusa? Por mais diferentes que sejam de nós, é sempre produtivo aprender, crescer e envelhecer com eles. São os nossos grandes e verdadeiros amores. Pessoas que estão com a gente pro que der e vier.

Quando decidimos ser amigo de alguém, é como se estivéssemos declarando ao mundo que a partir de então faremos parte da vida dessa pessoa até que a morte nos separe. E nem é preciso prometer isso diante de um juiz de paz, de um padre ou pastor.

Amigos nos aceitam do jeito que somos, nos apoiam em todos os momentos de nossas vidas e se fazem presentes sempre que precisamos. Mais do que fiéis, são leais escudeiros. Nos amam por dentro e por fora, com todos os nossos defeitos e qualidades. Dizem a verdade na nossa cara como se fosse a coisa mais fácil do mundo, mesmo quando tudo indica que não a aceitaremos bem. São honestos, são companheiros, nos ouvem com atenção mesmo quando repetimos a história umas mil vezes. Nos aturam de verdade! Porque não é fácil nos aturar. Mas só eles sabem que não importa o que façamos ou digamos, no fundo, por mais tortas que sejam nossas palavras, não era exatamente aquilo o que queríamos dizer.

Nunca cobram o nosso melhor, mas acreditam sinceramente que somos capazes de dá-lo. Sabem que muitas vezes é preciso nos dar bronca, mas fazem isso sem que nos sintamos magoados. Nos trazem pra realidade quando ninguém mais consegue. Perdoam as nossas falhas de carater, desculpam as nossas exaltações, entendem os nossos motivos. Lidam com a gente como uma mãe afetiva e amorosa. Nos corrigem. Nos aconselham. Nos consolam... Nos divertem como ninguém. Sabem lidar com a gente mesmo quando estamos insuportáveis. Gostam da nossa companhia mesmo quando estamos de mau humor. Nos perturbam na mesma proporção que nós a eles, mas fazem isso com mais jeito e simpatia. Sempre sabem o que dizer, mesmo quando não há nada a ser dito. São tudo o que a gente espera e mais um pouco.

Amigos são, sim, irmãos nascidos para quando há aflição!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Indas e vindas do amor (Valentine's day)


Se você está a fim de ver um filme empolgante, divertido e romântico, com atores e atrizes belíssimos e com um final feliz, com certeza, esse é o filme.
Ontem, uma amiga e eu fomos assisti-lo e saímos do cinema correspondidas. Nossas expectativas eram grandes com respeito a ele, pois trás junto de si um elenco brilhante. Nomes como Júlia Roberts, Bradley Cooper, Anne Hathaway, Ashton Kutcher, Jennifer Garder, Taylor Lautner (o queridinho das meninas), entre outros.
Eu que sou mega fã dos filmes da Anne confesso que vê-la nesse filme me pegou de surpresa. Ela está totalmente diferente do que estou acostumada a ver. Mas continua dando um banho de interpretação.
Minha maior felicidade foi rever Júlia Roberts atuando. Como sempre ela é impecável. Há tempos não via um filme com ela e nesse ela tá fofa.
Não posso deixar de falar do Taylor já que é notório os músculos a menos nesse filme. Com certeza foi gravado antes de Lua Nova. A participação dele é pequena, mas só de vê-lo a gente já fica feliz. Tá lindo como sempre!
A todos que desejarem, eu indico Valentine's day!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Preciso de Alguém... (Cris Passinato)


Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida. Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: "Nós ainda vamos rir muito disso tudo" e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Para que ninguém a quisesse - (Marina Colasanti)


Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as jóias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos. Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras. Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela. Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos. Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
In: Conto de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986. P. 111-2.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Quero mudanças! E você?


Quando um ano termina sempre fica aquela sensação nostálgica e ao mesmo tempo gratificante por se ter conquistado coisas esperadas ou vencido obstáculos aparentemente insuperáveis. Não raro as pessoas fazem planos para o ano seguinte prometendo a si mesmas que farão o possível e o impossível para conseguir realizá-los.
Há quem busque mudanças externas; em sua aparência, em sua casa, no trabalho e assim por diante. Mas há também pessoas que, assim como eu, se preocupam mais com as mudanças internas.
Não que seja necessário esperar um novo ano começar para se fazer as mudanças necessárias. Mas não posso negar o fato de que quando se começa pelo "começo" as coisas tendem a dar mais certo. Você se dedica mais. É como se você devesse esse favor a você mesmo, buscar melhorar naquilo que lhe é necessário, seja externa ou internamente.

Há um tempo atrás eu postei aqui a necessidade das mudanças e o quanto são inevitáveis. Hoje, algum tempo depois continuo com o mesmo conceito e acrescento mais. Além de serem inevitáveis são indispensáveis.
A dica é a seguinte:
-tenha alvos.
-empenhe-se por eles.
-não desista no caminho.

Tenho certeza que dessa maneira você consegue e eu também. Afinal, quero mudanças! E você?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Devaneio Esferográfico (Rockz)

Me peguei emocionado
Com uma música romântica, vou desligar o rádio
Percebi algo de errado
O que está acontecendo?
Estou sei lá, fragilizado
É, mas isso não se diz

Me peguei atravessando
Uma rua em pleno centro, mergulhado em pensamentos
Quase fui atropelado, a orquestra de buzinas
Se infultrou nos meus tormentos
É, mais isso não se diz
É, mais isso não se diz

As folhas caídas nas calçadas
Passeavam com a ajuda do vento
E até a rotina mau-humorada
Quase bela pra quem é atento

Me peguei pensando alto
E as pessoas do metrô me olhavam de canto de olho
E eu fiquei envergonhado
Por falar seu apelido que criei quando era seu namorado
Me peguei ali ridículo
No meu interrogatório de perguntas desprezíveis
Para amigos invisíveis, que concordam com a cabeça
Esqueça tudo o que eu te digo

Me peguei ali parado
Na escada do seu prédio, escrevendo num caderno
Devaneio esferográfico, uma carta mal escrita
Que o porteiro leu eufórico
É, mas isso não se diz

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tu te tornas responsável por aquilo que cativas!


Essa frase realmente se tornou verdade, no meu caso, esta semana.
Uma amiga viajou pra Sampa e deixou sob minha responsabilidade uma doçura de cachorrinha da raça poodle, chamada Mel. E um belissímo peixe chamado Fred.
Eu, que há 200 anos estou acostumada a lidar com gatos, meus gatos, que são três, fui inculbida de tamanha responsabilidade; cuidar e dar afeto a esses dois animais.
Bem, cachorros são seres naturalmente amigáveis e carentes, não é preciso muito esforço pra cuidar deles. Só lembrar de alimentá-los e acariciá-los quase sempre. Isso eu tenho tirado de letra. Apesar de amar gatos e sempre ter algum por perto, (acho que são muito parecidos comigo; independentes) também curto muito cachorros e graças a Deus, não sou alérgica a eles. Agora o maior problema é o peixe. Cuidar de um peixe até que é fácil, você só precisa alimentá-lo uma vez ao dia e quando achar necessário, limpar o aquário dele. Pode ser uma ou duas vezes na semana, isso depende muito do tamanho do peixe e o estrago que ele faz no aquário.rs Mas como se dá afeto a um peixe? Sinceramente eu não sei. Já tentei brincar com ele algumas vezes, mas ele sempre se assusta e se afasta. Parece indiferente.
Engraçado que pessoas que moram sozinhas geralmente tem um cachorro ou um gato e um peixe. Se ela for depender do peixe pra se sentir amada, ela tá ferrada. Eles são frios. Acho que viver tanto tempo na água os deixa assim.

Aqui vai uma dica: nunca espere uma retribuição amigável de um peixe. Por mais que você o ame e se preocupe com o seu bem-estar, eles nunca vão te agradecer por isso! Sorte a minha ter que cuidar também da Mel. Ela tem carinho que dá e sobra.

sábado, 12 de setembro de 2009

Pense nisso!



Já olhou uma foto sua e viu um estranho no fundo?

Faz você pensar: quantos estranhos tem uma foto com você? De quantos momentos na vida de outras pessoas nós participamos? Fazíamos parte da vida dessa pessoa quando seus sonhos se realizaram? Ou estávamos lá quando seus sonhos morreram? Continuamos a participar, como se de certa forma fossêmos enviados para fazer parte dela? Ou a chance nos pegou de supresa?


Pense nisso; você pode ser uma parte importante da vida de alguém e nem mesmo saber.


(Lucas Scott - One Tree Hill)

domingo, 16 de agosto de 2009

Chiaroscuro! Simplesmente demais!!!



Para os que estão acostumados a ouvir Pitty, as sábias letras, os contrastes musicais a transformação visual não será surpresa nenhuma ao se depararem com o novo cd. Mas os desavisados, com certeza ficarão de cara com os novos arranjos, as novas letras, os efeitos, enfim... A surpresa vai ser muito grata.

Esse novo disco está mais que nunca, a cara da Pitty. Não tem como você ouvir uma única música e não visualizar como ela se encaixa direitinho com a dona. Mas surpresa ainda você ficará quando se vir em alguma delas.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Ato Gratuito - Clarice Lispector


Muitas vezes, o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem conseqüências, são imprevisíveis.O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim - que esta é toda paga, isto é, tem o seu preço.
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina - quando alguma coisa em mim aconteceu.Era o profundo cansaço da luta.E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordara. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar ideias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Então a sede estranha e profunda me apareceu. Eu precisava - precisava com urgência - de um ato de liberdade: do ato que é por si só. Um ato que manifestasse fora de mim o que eu secretamente era. E necessitava de um ato pelo qual eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar o alto preço que custa viver.Então minha própria sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão. Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. "Que rua?", perguntou ele. "O senhor não está entendendo", expliquei-lhe, "não quero ir ao bairro e sim ao Jardim do bairro." Não sei por que olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que um vento fortíssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato de olhos entrefechados de felicidade. Eu ia ao Jardim Botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver.Saltei do táxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. Lá a vida verde era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério. O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recém-plantados. Olhei uma árvores de tronco nodoso e escuro, tão largo que me seria impossível abraçá-lo. Por dentro dessa madeira de rocha, através de raízes pesadas e duras como garras - como é que corria a seiva, essa coisa quase intangível que é a vida? Havia seiva em tudo como há sangue em nosso corpo.De propósito não vou descrever o que vi: cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raízes incógnitas. Eu andava, andava. Às vezes parava. Já me afastara muito do portão de entrada, não o via mais, pois entrara em tantas alamedas. Eu sentia um medo bom - como um estremecimento apenas perceptível de alma - um medo bom de talvez estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! achar a porta de saída.Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua boca jorrava a água. Bebi. Molhei-me toda. Sem me incomodar: esse exagero estava de acordo com a abundância do Jardim. O chão estava às vezes coberto de bolinhas de arueira, daquelas que caem em abundância nas calçadas da nossa infância e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo senti o misterioso gosto bom. Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco. Voltarei num dia de chuva - só para ver o gotejante jardim submerso.

Nota da autora: "peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir os olhos que não vêem."
(Retirado do livro Aprendendo a Viver)