quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música!


"Sem música, a vida seria um erro" - Friedrich Nietzsche
Uma nota. Um acorde. Um tom. Um ritmo. Um timbre. Um som. Qualquer coisa que se resuma a música faz a minha alegria. E quem não gosta de música?
Pode ser lenta, frenética, mixada, dedilhada. Qualquer gênero ou ritmo, ela faz a alegria da massa.
A vida da gente é regida por música. Pense bem e verá que é, sim.
Quando você está de bom humor, qual é a primeira coisa que você faz? Cantarola uma canção. Muitas vezes, involuntariamente. E se alguém te ouve cantarolando, essa pessoa continua da parte em que você parou. Isso acontece muito.
Acredito que temos trilha sonora para cada fase de nossas vidas. Trilha esta que toma conta de cada momento marcante. Além do mais, a música tem o poder de unir as pessoas. Quantas pessoas você conhece ou conheceu a partir de uma música/banda/cantor que gostava? Eu me declaro totalmente culpada! Conheço várias pessoas que não tinham nada a ver comigo e passaram a ter justamente por curtirem músicas que eu amo.
Daí você pensa: "mas como 'fulano' pode conhecer essa banda e essa música? Ele não tem cara de quem ouve esse estilo de música". E você passa a enxergar tal pessoa quando descobre que a sua música favorita é a dela também. E que ambas tem bom gosto. E você só se permite descobrir mais por, coincidentemente, curtirem o mesmo som.
Sendo assim, agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para o meu bom gosto musical. E aos meus cantores favoritos por facilitarem o processo. =)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

No que acreditas? (Por Srta Sullivan)


Deitada sem dormir
Passo a noite a refletir.
O que conta nesta vida
É tudo o que você acredita.
Se pensar que pode voar
Coragem, ao tentar se jogar.
Se crê na liberdade de expressão
Saiba sempre respeitar a opinião.
Se entende este meu pensamento
Não deixe as palavras se perderem com o vento.
Se duvida que o bem vencerá o mal
Faça tudo para não chegar ao final.
Se achar que é melhor caminhar sozinho
Seja forte, pois haverá muitas pedras no caminho.
Mas se concluir que uma mão amiga, útil lhe será
Olhe para cima, haverá quem possa lhe ajudar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Frases

Existem frases que marcam a vida da gente, não é mesmo? Eu, que sou amante da escrita, me pego, quase sempre, citando frases que ouvi numa música, num filme ou numa série de TV.

Daí hoje, lembrando de uma delas, fiz uma pequena seleção dentre tantas e resolvi postá-las aqui. Quem sabe você não encontre uma que também seja especial para você.


"Conheci vários homens que queriam dominar o mundo, mas nunca conheci um que queria salvá-lo." (Lois Lane, Smallville)

"Senhores, a única forma de alcançar o impossível é pensar que é possível." (Alice no País das Maravilhas)

"A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena." (Chaves)

"Ao infinito e além!" (Toy Story)

"Venha comigo se quiser viver." (O Exterminador do Futuro)

"Voce não deveria FERIR aquilo que não consegue MATAR!" (Lex Luthor - Smallville)

"As garotas flertam com os cafajestes, mas é com o bonzinho que se casam…” (Jean Grey - X-Man)

"Eu, uma princesa? Cala a boca!" (Mia - O Diário da Princesa)

"Para lutar contra o homem, inventamos o Rock 'N Roll. Mas o homem destruiu isso com uma coisinha chamada MTV". (Dewey Finn - Escola de Rock)

"Wilsooooooooon!" (Chuck Noland - Naufrago)







domingo, 14 de novembro de 2010

Análise do Fã: Uma triste manhã de novembro



* (Por Daniel Wuo)

"Oito da manhã e seu sono tranquilo é interrompido pelo despertador. Desagradável acordar cedo em pleno domingo, mas para quem recentemente já havia invadido tantas madrugadas sem dormir, oito da manhã parecia mais horário nobre.
Tão nobre quanto o motivo que a fazia despertar. Era dia de final, com grandes perspectivas de título. Título inédito. Pra falar bem a verdade, nesse horário deveria era estar comentando o jogo nos estúdios da TV e não estar se espreguiçando na cama.
Mas subitamente mudará de plano depois de sua experiência da manhã anterior. Teve, na ocasião, de se controlar sabe-se lá como pra não extravasar tudo que sentiu nas três horas de sufoco das brasileiras diante das japonesas. Engoliu a seco os palavrões que, em reações típicas de torcedores, ameaçavam escapar de sua boca.
Não fosse o controle emocional construido ao longo de todos esses anos de carreira e teriam lhe amordaçado com fita isolante para evitar o pior. Conhecia seus limites emocionais como atleta, mas há tempos não sentia na pele o que era ver o jogo sem participar diretamente dele; era novamente caloura na arte de torcer. Sabia que não se conteria dessa vez. Não soltar um palavrãozinho sequer, logo num jogo contra as russas? Mudou os planos e cancelou sua participação. Iria torcer em casa e xingar quem quisesse, o quanto quisesse e do que bem entendesse.
Escovou os dentes e foi então pra um leve aquecimento, na cozinha mesmo. Entre um alongamento e uma golada de café, se imaginou no ginásio e colocou a mão no peito e emocionada ouviu o hino nacional.
Procurou adversário pra cumprimentar e só então se deu conta de que não havia sequer uma rede pra dividir sua quadra, digo, sala. Viu na tela as jogadoras sendo apresentadas, uma a uma, seu treinador acenar para os torcedores. Não usava joelheiras, não tinha cabelo pra ser preso. Seu uniforme era diferente dos de suas companheiras.
Ainda tentou se beliscar pra ver se acordava daquela sensação estranha de estar tão perto de seu mais recente sonho como jogadora, e ao mesmo tempo tão longe e incapaz de ajudar sua seleção a realizá-lo. Sem despertar pra nada e com o braço marcado pela dor, se conformou e enfim, se acomodou no sofá.
Quando viu a equipe abrir boa vantagem logo de cara, sentiu que a vitória não escaparia dessa vez. Com sorriso no rosto viu um sexteto igualmente feliz em quadra, defendendo muito, atacando com precisão. Parecia que o tempo havia parado no set decisivo do dia anterior e agora descongelava, tamanha semelhança na postura das brasileiras.
Depois de ver sua seleção fechar o primeiro set, viu as russas reagirem no segundo. Essas russas não iriam lhe dar sossego assim facilmente, pensou alto.
Quando viu o treinador que tanto admira e que adotou como segundo pai aos berros no pedido de tempo, por um instante pensou que o jogo fosse da seleção masculina. Com a imagem de seu atual treinador de clube na cabeça, lembrou dos tempos em que admirava Ana Moser, via a seleção pela TV e sonhava em um dia estar do outro lado da tela. Quando despersou o pensamento, viu que o jogo estava empatado e teve a certeza de que a garrafa térmica com chá de camomila que havia preparado seria útil.
No set seguinte se viu vibrando, ao ver a bola atacada por Sheilla carimbar o rosto de Sokolova. Era sinal de que, literalmente a essa altura do campeonato, seu lado torcedor dominava o de atleta.
Então veio o quarto set e ela voltou a ter a estranha sensação de estar em quadra. Bateu uma ansiedade enorme. Fechar a partida naquela set era tudo o que mais queriam. Sentia isso no olhar de cada uma. Quando o time russo abriu 10 pontos de vantagem, reencontrou o sentimento de incapacidade total pra ajudar suas companheiras naquele momento. Não via o time em quadra. Viajou um pouco no pensamento e estranhamente viu as jogadoras ali, ao seu lado, sentadas no sofá. Esfregou os olhos e desconfiou do chá de camomila.
O jogo iria então para o quinto set. Segura de que estava ali como torcedora, achou prudente se benzer e preparar uma jarra de suco de maracujá.
Se deu conta de como a equipe havia se abatido no set anterior e ficou feliz ao vê-la retornar com valentia, confiança e concentração reestabelecidas. Gritou, comemorou, roeu as unhas. Ao ver o juiz coreano dar um inapelável veredicto equivocado no ataque de Sheilla, sobrou pra mesinha central, que levou um murro.
Gamova, porém voltara impiedosa. Isso lhe fez lembrar do dia em que, ainda criança, resolveu alugar um VHS do filme Rocky IV.
Recordava-se agora de que havia um gigante lutador russo que parecia um armário e que fazia carnificina com o personagem de Sylvester Stallone.
Relembrando a raiva que tinha na infância, viu na atacante o personagem do filme, o tal Drago, e percebeu que a Rússia era um carma que carregava por muito mais tempo do que imaginava.
Pasma, viu as russas virarem o set na reta final e comemorarem o título.Não podia acreditar naquilo. Estática no sofá, se sentiu frustrada. Em 2006 já havia passado por isso como atleta. Quatro anos depois sofria a mesma angústia como torcedora. Não sabia qual era a mais dolorida das sensações.
Arrasada, já não tinha a menor idéia se era torcedora ou jogadora. Se estava em seu apartamento ou em Tóquio. A única certeza era de que sentia a mesma dor que cada uma das jogadoras carregavam após tanta luta, dedicação e evolução apresentados nesse Mundial.
Viu as amigas Fabi, Jaqueline, Sheilla, Fabiola, Fabiana, Sassá, Thaisa e Natália aos prantos e entendeu mais do que ninguém aquele sofrimento todo. Deixou escapar então uma lágrima de orgulho por se lembrar que faz parte de um grupo com tanto brio e caráter.
Se levantou e, sob o silêncio que tomava conta do apartamento, só pensava no dia em que estaria jogando novamente ao lado desse time."


Fonte: (Esse texto está no site da Mari e foi escrito por um fã. Achei lindo demais. Emocionada, resolvi postá-lo aqui.)

Não foi dessa vez Brasil, mas valeu!


ISSO É BRASIL! (PARABÉNS MENINAS, PELA PRATA!)



CONCENTRAÇÃO



COMPANHEIRISMO



ALEGRIA



FORÇA



AGILIDADE



GARRA



DETERMINAÇÃO



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Freedom Writers


Hoje deparei-me com esse filme incrível que só fez melhorar o meu dia. Fiquei extasiada com a história dele.
Há quem diga que é apenas mais um filminho americado falando sobre discriminação, gangues e negros. Mas cara, o filme não é só isso. É tudo isso e muito mais.
Uma história linda de alguém que abraçou uma causa, um ideal e que acreditou poder fazer a diferença e fez. Pessoas que tiveram a sua realidade mudada para a melhor.
Uma realidade americana, que se adaptarmos um pouquinho, se torna praticamente uma realidade brasileira.
O filme é incrível, por favor, assistam. Nada que eu diga aqui conseguirá descrevê-lo com exatidão. Apenas seus olhos poderão ver por si mesmos.


PS: Créditos a atriz Hilary Swank que está impecável nesse filme! *_*

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

I Me Wed


Hoje assisti I Me Wed, com a Erica Durance (a Lois Lane de Smalville) e gostei muito. Ela interpreta uma mulher, Isabelle, que não decide casar por desespero, mas para provar que uma mulher não precisa se casar com um homem para ser feliz e aceita pela sociedade. O filme é super fofo e, se você der de cara com ele por aí, vale a pena assistir.

sábado, 6 de novembro de 2010

Pensamentos de One Tree Hill

"Há um fluxo nas coisas dos homens que ao seguir a correnteza, leva fortuna, mas omitidos, a viagem de suas vidas fica envolta em sombras e desgraças nesse mar imenso em que navegamos. E devemos seguir a corrente, vencendo ou perdendo o desafio diante de nós."



"Não deixe o seu fogo se estinguir, fagulha por fagulha, nos pântanos da desesperança do não quase, do não ainda e do não total. Não deixe que o heroi da sua alma pereça em frustração solitária, na vida que você mereceu, mas que jamais foi capaz de alcançar. O mundo que você deseja pode ser conquistado. Ele existe. Ele é real. Ele é possível. Ele é seu."



"Ser ninguém, apenas você mesmo, num mundo que faz todo um possível para transformá-lo numa outra pessoa, significa enfrentar uma batalha ardua que qualquer humano saiba enfrentar, numa luta interminável."



"A mim parece que você e eu teremos que escolher duas linhas de pensamentos de ação. Devemos lembrar da morte e tentar tão ardentemente viver? Que nossa morte não dê prazer ao mundo."



"Como são assustadores os humanos. São tantos indicadores, mostradores e registros. Mas só conseguimos ler alguns. Mesmo assim, talvez não corretamente."


“Você já se perguntou o que marca o nosso tempo aqui? Se uma vida pode realmente ter um impacto no mundo? Ou se as escolhas que fazemos importam? Eu acredito que sim e acredito que um homem pode mudar muitas vidas para o melhor, ou para o pior.”

"Não há desespero tão absoluto como aquele que vem com os primeiros momentos de nossa primeira grande tristeza. Quando ainda não sabemos o que é ter sofrido e ter se curado. Ter se desesperado e recuperado a esperança."

"Nas garras ferozes das circunstâncias não me encolhi nem fiz alarde do meu pranto. Golpeado pelo acaso, minha cabeça sangra, mas não se curva. Longe deste lugar de ira e lágrimas só assombra, o Horror da sombra. Ainda assim, a ameaça dos anos me encontra, e me encontrará sempre, destemido. Não importa quão estreita seja a porta, quão profusa em punições seja a lista. Sou mestre do meu destino. Sou capitão da minha alma."

"Podem escolher culpar o destino, ou a má sorte, ou escolhas erradas. Ou podem lutar. As coisas nem sempre serão justas na vida real. É assim que as coisas são. Mas, na maioria das vezes, você recebe o que dá. Deixe- me perguntar uma coisa: o que é pior? Não conseguir tudo o que você sempre sonhou, ou conseguir, e descobrir que não é o bastante? O resto das suas vidas está sendo definido agora mesmo. Com os sonhos que perseguem, as escolhas que fazem... O resto da vida é muito tempo, e o resto da sua vida começa agora."

"Às vezes pergunto-me se tudo ainda é absoluto. Se ainda existe o certo e o errado. Bom e ruim. Verdades e mentiras. Tudo é negociável, deixado aberto à interpretações? Ótimo! Às vezes somos forçados a driblar a verdade. Transforma-lá. Porque somos colocados à frente de coisas que não foram criadas por nós. E às vezes, as coisas simplesmente chegam até nós.
A verdade ainda é absoluta. Acredite nisso. Mesmo que essa verdade seja dura e fria. E mais dolorosa do que você jamais imaginou. E mesmo quando a verdade é mais cruel do que qualquer mentira!"

PS: Meus pensamentos favoritos da série! =)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

R.E.S.P.E.I.T.O


res.pei.tar- 1. Tratar com reverência ou acatamento, honrar. 2. Por atenção ou importância a, considerar. 3. Não agir contrariamente a (decisão, orientação, regra); acatar. 4. Agir de modo que não fira, não prejudique ou não ofenda (alguém) ou não destrua (algo).

Muitas pessoas desconhecem tal significado. E as que conhecem, vez por outra deixam de por em prática. Podem atirar a primeira pedra, esta que vos fala deixou a desejar. Aconteceu esta semana. Por isso fui movida a postar sobre o assunto.

Talvez pareça pura hipocrisia da minha parte querer falar sobre algo que eu mesma não coloquei em prática. No entanto, é exatamente isso que eu gostaria de trazer a atenção.

É muito fácil agir de modo que fira ou ofenda alguém, ainda que involuntariamente. Quando uma pessoa demonstra respeito por você, você se sente no dever de respeitá-la também, por maior que sejam as diferenças entre vocês. Mas quando uma pessoa não faz isso, meu amigo, você pega o embalo, você também não corresponde. E é aí que você peca. Perde totalmente a razão.

O ditado é certo: 'quando um não quer, dois não brigam'. Mas Frejat mostrou entender a raça humana quando escreveu: "se você quer brigar... pode vir quente que eu estou fervendo". E na maioria das vezes é assim que funciona. Mas não tem que ser assim.

Recentemente, uma pessoa muito sábia me disse que "talvez pessoas amantes das flores tenham uma sensibilidade em comum e inerente... Às vezes a intimidade com a natureza nos torne tão serena quanto elas, a ponto de, como você [eu] disse, não 'entrar numa' com ninguém".

Sendo assim, é tempo de ROSAS. Procurarei cultivar as minhas para não 'entrar numa' novamente.


PS: 'RAZÃO OU FELICIDADE?' Um pouco de ambas estaria de bom tamanho, pero sin desrespeitar a nadie.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Beijo de Filme (Moptop)

Era um tanto esquisito
Jogava peteca contra o muro vizinho
Sem saber
Que a vizinha ao lado
Andava sozinha com os meninos do bairro
Mesmo um tanto inibido
Formou-se palhaço na escola de circo
Com louvor
Mestrado em riso ganhou a vizinha
Com a piada do padre

Escolha bem
Procure achar
Se é que existe
Alguém que realmente te agüente
Capaz de realmente te amar

Mesmo que não acredite
Em amor de verdade em beijo de filme
Tem que haver
Alguém nesse mundo
Que não te despreze Que não te repulse
Pois mesmo que não acredite
Em conto de fada em beijo de filme
Tem que haver
Alguém pra te amar

Era um tanto franzina
De frente era meio de lado era nula
Sem sabor
Não muito barbada
Assustava os meninos por onde passava
Mesmo com tantos defeitos
Achou um marido como tinha direito
Sem saber
Mas pouco importava
Que não tinha dentes e nada enxergava
Escolha bem
Procure achar
Se é que existe
Alguém que realmente te agüente
Capaz de realmente te amar
De te amar

Mesmo que não acredite
Em amor de verdade em beijo de filme
Tem que haver
Alguém nesse mundo
Que não te despreze
Que não te repulse
Pois mesmo que não acredite
Em conto de fada em beijo de filme
Tem que haver
Alguém que vá te amar
Alguém pra te aceitar
Se é que existe
Alguém que realmente te agüente
Capaz de realmente te amar

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Espere e verás


É incrível como as coisas só acontecem quando têm que acontecer. Não adianta bater o pé, se descabelar, se estressar, forçar... Se não for a hora certa não vai rolar. Mas como podemos saber quando é a hora certa?

De antemão não tem como. Quando a hora certa chegar você vai sentir. Ninguém vai precisar te avisar, você vai saber por você mesmo. E isso envolve todo tipo de acontecimento; relacionamentos, realizações, sonhos, respostas...

É perda de tempo sair por aí batendo cabeça, atrás de caminhos que você só vai percorrer quando souber trilhá-los. Ainda que encontre o que realmente busca, se não for a hora certa, escorrerá por entre os dedos e você mal vai notar. Será como uma falsa conquista.

O que é brilhante nessa história toda é que, às vezes, por mais que avidamente se busque algo, dificilmente encontrará num curto período. Mas num determinado momento, quando você não estiver procurando, vai aparecer bem na sua frente, como se estivesse à espreita, apenas esperando você estar pronto(a) para alcançar.


A quem não acredita eu digo uma coisa: espere e verás.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Defeitos sobressalentes


Quem me conhece sabe que sou uma pessoa cheia de boas qualidades. Não precisa conviver comigo para notar isso. De longe se percebe minhas habilidades quase natas.(E com certeza minha humildade não será o destaque desta postagem.)
Pois então, ao contrário do que você possa pensar, caro leitor, eu não sou tão egocêntrica assim, e não estou aqui para ressaltar minha boa índole nem minhas belas características. Pelo contrário, é o lado oposto que quero evidenciar, não que precise pois meus defeitos falam por si.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa cheia de defeitos. Não precisa conviver comigo para notar isso. De longe se percebe minha irritabilidade, ironia, impaciência, intransigência... No entanto, não há defeito que ganhe da minha obsessão. Sou muito 'obsedada'!!!
Nunca acreditei. Apesar de já terem me dito, nunca levei a sério. Até perceber por mim mesma.

Não chega a ser uma neurose, mas é forte e intensa. Não é com tudo nem com todos, mas, quando eu cismo com alguma coisa eu vou mesmo atrás, até achar. E depois que se acha o que se procurou tão avidamente a sensação é ótima, única!

Agora você já está avisado(a), 'minha bondade não impede minha maldade' (C.L) ou seja, minhas qualidades não escondem meus defeitos. Perdão por isso.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não tenha medo de voltar!

Voltar atrás é uma das coisas mais comum do mundo! Sem exagero que digo isso. É da natureza humana repensar decisões, corrigir ações, dar meia volta. Não pense que é um erro repensar uma decisão. Erro seria não repensá-la. Não conclua nada precipitadamente. Não tenha medo de voltar atrás. Corrija o que achar que deve corrigir. Mas faça isso com calma, com tranquilidade. Esteja certo do que quer. Isso tornará mais fácil seguir em frente...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SHOW!



Um ótimo show!

Depois da meia noite a banda subiu ao palco para “Ressurreição”, do álbum mais recente disco, “Das Kapital”, seguida de “Quatro Vezes Você”, o primeiro hit da noite.

Para quem não acreditava, o Dinho está com o mesmo gás de antes, apesar de... Eis um cara que sempre será um muleque.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Das Kapital



O CD tá show! Clichê total da minha parte, eu sei, mas é verdade! As músicas falam por si. Só a capa do album já é uma obra de arte.
Não podendo gravar propriamente na bolsa de valores, os caras fizeram uma montagem que ficou perfeita. Mais show ainda é o que está em alta ou em baixa na capa do CD. Você pode investir em coisas como: diversão, rock 'n' roll, amor, sexo, respeito e consciência. E em cada investimento há duas ou três músicas do disco. Show não é?!

E aí, no que você vai investir hoje? Bem, estou investindo em Amor e a canção é Como se Sente.

Aproveita, passa lá no site e invista em algo você também.

Capital Inicial

domingo, 5 de setembro de 2010

Alguém tem que falar


Quando assumi comigo mesma a responsabilidade de ter um blog queria, no sentido mais puro da expressão, botar a boca no mundo. Falar tudo o que desse na telha, e o que não desse também. Mas a princípio, o dilema foi: sobre o que escrever? Sobre tudo! Sobre tudo o que fosse do meu cotidiano e/ou interesse.
Pessoas que são naturalmente tímidas pensam demais (falo isso por experiência própria). Porque não falamos tudo o que pensamos ou porque sentimos um certo receio de nos expressar. Em público então, aí o bicho pega. É por isso que para mim foi meio difícil permanecer com o blog até hoje. Dar continuidade é complicado porque 'eu só quero o começo, me entedia lidar com o meio'. Mas pensando e pensando e pensando percebi que a necessidade de o ter me era imposta. E cá estamos nós por mais de 3 anos
(relacionamentos duram menos que isso). E como eu esperava, ele se tornou o meu cantinho. Cantinho onde permaneço quando estou feliz ou triste. Onde me exponho ou escondo. Onde penso publicamente. Onde grito para o mundo. Afinal, alguém tem que falar. Falar o que pensa. Falar o que sente. Pois somos o que pensamos. E o que sentimos também!



"Não espere, levante
Sempre vale a pena bradar
É hora
Alguém tem que falar" (Pitty)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Minha ESPERANÇA

PERDENDO MINHA ESPERANÇA
O QUE RESTA DE MIM NÃO TEM MAIS IMPORTÂNCIA
MANTENDO MINHA FÉ
O QUE APRENDI NESTA VIDA PEMANECE DE PÉ
APAGANDO O MEU PASSADO
O QUE VEJO ADIANTE PERDE O SIGNIFICADO
NÃO TEMENDO O FUTURO
O QUE ESPERO ALCANÇAR CONTINUA SEGURO
MAS CASO EU PEREÇA
DESEJO QUE DE MIM VOCÊ NÃO SE ESQUEÇA
PARA QUE QUANDO EU ACORDAR
UM ABRAÇO DE AMIGO VOCÊ POSSA ME DAR

(CONTINUA...)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Duelo de GIGANTES!


O jogo de ontem foi realmente um clássico. De um lado, o meu querido Vasco, do outro o líder do campeonato, (até o presente momento) Fluminense.
Para quem, assim como eu, acreditava que possivelmente o Vasco jogaria fechado, na defesa, enganou-se, porque ele foi pra cima. Jogou de igual pra igual, como deve ser.
Como há muito não se via, o jogo foi super empolgante. Os times se movimentaram bem. Atacaram, defenderam e como correram. Mais uma vez mostraram ser o time da virada! Coisa linda de se ver.
É isso o que empolga de verdade o torcedor. Ver o seu time jogar bem, ir pra cima, buscar o resultado com todo o gás...
Meu Vasco não ganhou, é fato. Mas a maneira como jogou me deixou verdadeiramente orgulhosa!
O time está motivado, está fisicamente bem. Mas ainda precisa melhorar. Alguns jogadores cometeram erros bobos que acabou lhes custando a vitória. Porém, por ter duelado como um gigante e por continuar a duelar (assim espero) as vitórias serão consequências de sua bela MOTIVAÇÃO. Afinal, (como diria uma flamenguista que conheço) motivação é TUDO! ;)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tudo a seu tempo


Se a pressa é inimiga da perfeição, a ansiedade deve ser amiga íntima da pressa e a impaciência, irmã gêmea. Taí duas características que me dominam; ansiedade e impaciência. Saber esperar não é uma virtude minha. Pelo contrário, me corrói só de pensar.
Saber que a paciência não é uma virtude que eu tenha me faz admirá-la ainda mais. Conheço poucas pessoas que são naturalmente pacientes e o convívio com elas é bem agradável. Me obrigo a ser paciente, mas por não ser algo fácil de se adquirir, vivo perdendo o controle. É muito mais fácil explodir do que manter a calma. É muito mais fácil ir atrás do que esperar que as coisas aconteçam. Se você é preguiçoso com certeza não vai concordar com essa frase, mas se não é, sabe como a coisa funciona.

Ter de esperar é uma verdadeira tortura! E a impressão que dá é que o tempo corre mais lento quando você quer que ele passe mais depressa. E ser uma pessoa ansiosa e impaciente só agrava isso. Você se corrói por nada. Porque tudo acontece no seu devido tempo.

Esses dias aprendi uma lição nova. Não que eu vá agora deixar a ansiedade e a impaciência de lado, (bem que eu queria, ansiedade dá gastrite e baixa a imunidade!) não. Mas eu vou me esforçar em dobro para manter o autodomínio e deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Afinal, nem Deus fez o mundo num só dia.

Achei umas frases legais que me ajudarão a pensar duas vezes antes de mandar a minha relativa paciência para os ares!


"Todas as falhas humanas provêm da impaciência." (Franz Kafka)

"A paciência é a fortaleza do débil e a impaciência, a debilidade do forte." (Immanuel Kant)

"A impaciência é um grande obstáculo para o bom êxito."
(Napoleão Bonaparte)

"Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar."
(Franz Kafka)

"A própria esperança deixa de ser ventura quando a impaciência a acompanha." (John Ruskin)

"Todos os erros humanos são fruto da impaciência, interrupção prematura de um processo ordenado, obstáculo artificial levantado ao redor de uma realidade artificial." (Franz Kafka)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Think About...

Sabe, de vez em quando bate uma vontade de fazer as coisas acontecerem já, exatamente agora. Mas se pensamos um pouco sobre, esperamos, esperamos e adiamos, como se não fosse tão fundamental o breve momento. Num estante queremos abraçar o mundo. No outro, queremos descer dele.
A propósito, se alguém conseguir, por favor, pare o mundo porque eu quero descer. Neste instante eu quero muito descer, ficar um tempo fora e depois voltar para recomeçar. Mas não é possível assim. Nem tão fácil nem possível...

domingo, 25 de julho de 2010

Clarice Lispector entrevista Chico Buarque/Xico Buark


Esta grafia, Xico Buark, foi inventada por Millôr Fernandes, numa noite no Antônio’s. Gostei como quando brincava com palavras de crianças. Quanto ao Chico, apenas sorriu um sorriso duplo: um por achar engraçado, outro mecânico e tristonho de quem foi aniquilado pela fama. Se Xico Buark não combina com a figura pura e um pouco melancólica de Chico, combina com a qualidade que ele tem de deixar os outros o chamarem e lê vir, com a capacidade que tem de sorrir conservando muitas vezes os olhos verdes abertos e sem riso.

Ele não é de modo algum um garoto, mas se existisse no reino animal um bicho pensativo e belo e sempre jovem que se chamasse Garoto, Francisco Buarque de Holanda seria da raça montanhesa dos garotos.

Marcamos encontro às quatro horas porque às cinco Chico tinha uma lição de música com Vilma Graça. Há um ano está estudando teoria musical e agora começará com o piano. Estávamos os dois na minha casa e a conversa transcorreu sem desentendimentos, com uma paz de quem enfim volta da rua.

Clarice Lispector: Você viveu ainda tão pouco que talvez seja prematuro perguntar-lhe se você teve algum momento decisivo na vida e qual foi?

Chico Buarque de Hollanda: Eu sou ruim para responder. Na verdade tive muitos momentos decisivos, mas creio que ainda sou moço demais para saber se eram de fato decisivos esses momentos. No final de contas não sei se eles contaram ou não.

CL: Tenho a impressão que você nasceu com a estrela na testa: tudo lhe correu fácil e natural como um riacho de roça. Estou certa se para você não é muito laborioso criar?

CBH: E não é. Porque às vezes estou procurando criar alguma coisa e durmo pensando nisso, acordo pensando nisso – e nada. Em geral eu canso e desisto. No outro dia a coisa estoura e qualquer pessoa pensaria que era gratuita, nascida naquele momento. Mas essa explosão vem do trabalho anterior inconsciente e aparentemente negativo. E como é seu trabalho?

CL: Vem às vezes em nebulosa sem que eu possa caracterizá-lo de algum modo. Também como você, passo dias ou até anos, meu Deus, esperando. E, quando chega, já vem em forma de inspiração. Eu só trabalho em forma de inspiração.

CBH: Até aí eu entendo, Clarice. Mas a mim, quando a música ou a letra vem, parece muito mais fácil de concretizar porque é uma coisa pequena. Tenho impressão de que se me desse idéia de construir uma sinfonia ou um romance, a coisa ia se despedaçar antes de estar completa.

CL: Mas Chico, aí é que entra o sofrimento do artista: despedaça-se tudo e a gente pensa que a inspiração que passou nunca mais há de vir.

CBH: Se você tem uma idéia para um romance, você sempre pode reduzi-lo a um conto?

CL: Não é bem assim, mas, se eu falar mais, a entrevistada fica sendo eu. Você, apesar de rapaz que veio de uma grande cidade e de uma família erudita, dá a impressão que se deslumbrou, deslumbrando os outros com sua fala particular. O que quero dizer é que você, ao ter crescido e adquirido maior maturidade, deslumbrou-se com as próprias capacidades, entrou numa roda-viva e ainda não pôs os pés no chão. Que é que você acha: já se habituou ao sucesso.

CBH: Tenho cara de bobo porque minhas reações são muito lentas, mas sou um vivo. Só que por os pés no chão no sentido prático me atrapalha um pouco. Tenho, por exemplo, uma pessoa que me explica um contrato e não consigo prestar atenção em certas coisas. O sucesso faz parte dessas coisas exteriores que não contribuem nada para mim. A gente tem a vaidade da gente, a gente se alegra, mas isso não é importante. Importante é aquele sofrimento com que a gente procura buscar e achar. Hoje, por exemplo, acordei com um sentimento de vazio danado porque ontem terminei um trabalho.

CL: Eu também me sinto perdida depois que acabo um trabalho mais sério.

CBH: Tenho uma inveja: meu trabalho de música está exposto a um consumo rápido e eu praticamente não tenho o direito de ficar pensando numa idéia muito tempo.

CL: Talvez você ainda mude. Como é que Villa-Lobos criava? Seria interessante para você saber.

CBH: Sei alguma coisa. Por exemplo, uma frase dele que Tom Jobim me contou: diz que Villa-Lobos estava um dia trabalhando na casa dele e havia uma balbúrdia danada em volta. Então o tom perguntou: como é, maestro, isso não atrapalha? Ele respondeu: o ouvido de fora não tem nada a ver com o ouvido de dentro. É isso que invejo nele. Gostaria muito de não ter prazo para entrega das músicas, e não fazer sucesso: você gostaria, por exemplo, de sair para a rua e começar a dar autógrafo no meio da rua mesmo?

CL: Detestaria, Chico. Eu não tenho, nem de longe, o sucesso que você tem, mas mesmo o pequeno que eu tenho às vezes me perturba o ouvido interno.

CBH: Então estamos quites

CL: Todas as mães com filhas em idade de casar consentiriam que casassem com você. De onde vem esse ar de bom rapaz? Acho, pessoalmente, que vem da bondade misturada com bom-humor, melancolia e honestidade. Você também tem o ar de quem é facilmente enganado: é verdade que você é crédulo, ou está de olhos abertos para os charlatões?

CBH: Não é que eu seja crédulo, sou é muito preguiçoso.

CL: O que é que você sentiu quando o maestro Karabtchevsky dirigiu “A Banda” no Teatro Municipal?

CBH: Claro que gostei, mas o que me interessa mesmo é criar. A intenção de Karabtchevsky foi das melhores, inclusive corajosa. Eu quero ver ainda a coisa se repetir com outros compositores populares.


CL: Você foi precoce em outras manifestações da vida? Fale sem modéstia.

CBH: Não, tudo que fiz como garoto é de algum modo ligado com o que eu faço hoje, isto é, versinhos.

CL: Você quer fazer um versinho agora mesmo? Para você não se sentir vigiado, esperarei na copa até você me chamar.

Chico riu, eu saí, esperei uns minutos até ele me chamar e ambos lemos sorrindo:

Como Clarice pedisse

Um versinho que eu não disse

Me dei mal

Ficou lá dentro esperando

Mas deixou seu olho olhando

Com cara de Juízo Final.

CL: A banda lembra música de nossos avós cantarem: tem um ar saudoso e gostoso de se abrir um livro grosso e encontrar dentro uma flor seca guardada exatamente para durar. De onde você tirou essa modinha tão brasileira? Qual a fonte de inspiração?

CBH: Não sei não, é uma coisa difícil de conscientizar. Lembro da banda mesmo não tendo vivido no interior, mas atrás da minha casa tinha um terreno baldio onde às vezes havia circo, parque de diversões, essas coisas.

CL: Vi você na primeira passeata pela liberdade dos estudantes. Que é que você pensa dos estudantes do mundo e do Brasil em particular?

CBH: No mundo é para mim difícil falar, mas aqui no Brasil eu sinto em todos os setores um apodrecimento e a impossibilidade de substituição senão por mentalidade completamente jovens e ainda inatingidas por essa podridão. Aqui no Brasil só vejo esta liderança. Um rapaz do “New York Times” entrevistou-me e perguntou: está bem, vocês não querem censura nem repressão nem os métodos arcaicos de educação: mas se vocês ganharem, quem vai substituir as autoridades? Por incrível que pareça, o mundo político está envolvido por essa decadência e acomodação. E você? Eu também te vi na passeata.

CL: Fui pelos mesmos motivos que você. Mudando de assunto, Chico, você já experimentou sentir-se em solidão? Ou sua vida tem sido sempre esse brilho tão justificado? Chico, um conselho para você: fique de vez em quando sozinho, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa.

CBH: Também acho e sempre que posso faço a minha retirada.

CL: Na música chamada clássica, apesar dela englobar compositores aos quais o classicismo não poderia ser aplicado, nessa música o que você prefere?

CBH: Aí não é questão de preferência, é costume para mim. Tenho sempre à mão um Beethoven.

CL: Sua família preferia que você seguisse a vocação de outros talentos seus que em aparência, pelo menos, são mais asseguradores de um futuro estável?

CBH: No começo sim. Logo que entrei para a arquitetura, quando comecei a trocar a régua “T” pelo violão, a coisa parecia vagabundagem. Agora (sorri) acho que já se conformaram.

CL: Você está compondo agora alguma coisa e com letra sua mesma? Sua letra é linda.

CBH: Estou na fase de procura. Ontem acabei um trabalho que era só de música, que exigia prazo. Para uma canção nova, eu estou sempre disponível.

CL: No domínio da música popular, quem seria por sua vez o seu ídolo?

CBH: Muitos, e é por isso que é difícil citar.

CL: Seu pai é um grande pai. Quem mais na sua família eu chamaria de grande, se conhecesse?

CBH: Minha mãe, apesar de ter um metro e cinqüenta e poucos de altura. Eu li muito e papai sempre me estimulava nesse sentido.

CL: Qual é a coisa mais importante do mundo?

CBH: Trabalho e amor.

CL: Qual é a coisa mais importante para você, como indivíduo?

CBH: A liberdade para trabalhar e amar.

CL: O que é o amor?

CBH: Não sei definir, e você?

CL: Nem eu.

**************************

In LISPECTOR, Clarice. Entrevistas. Rio de Janeiro: Rocco, 2007, pp.99-104.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"A emoção do primeiro All Star"


Lembro-me como se fosse hoje o dia em que ele chegou a mim. Ou melhor, o dia em que fui a sua busca. Tanto tempo esperando por ele quando finalmente chegou o dia de nos pertencermos um ao outro. Não, ele não era apenas um tênis... Um all star. Era o meu All Star! Preto de cano baixo. Meu, somente meu e de mais ninguém.
É inacreditável como o tempo que passamos juntos passou tão depressa. Cinco míseros anos. Mas foram 'OS' cinco anos. Por que? Porque ele estava comigo, dividindo cada acontecimento. Cada passeio, cada ida ao colégio, cada tombo, cada chuva, cada tudo. Cada momento com o meu All Star em qualquer lugar. Só não o levei a praia enquanto estivemos juntos, e eu nem sei porque. Ele também não "viveu" tempo suficiente para ir comigo ao Jardim Botânico. Mas estava lá, firme, forte, suado e muito pisado no show da Pitty. Talvez tenha sido esse o clímax da nossa história. Como se fosse o real objetivo da nossa união. Como se com ele, somente com ele, eu pudesse dividir inteiramente aquela sensação. E foi recíproca. Muito recíproca...
Quanto tivemos de nos separar não fizemos isso com pesar. Não foi difícil. Não foi sofrido. Pois sabíamos que o nosso tempo tinha terminado. Ele já estava mais do que gasto e eu, bem, eu já tinha um substituto, ou melhor, mais de um.
A verdade é que, a emoção do primeiro All Star é única na vida de qualquer pessoa, tenha você a idade que tiver. E saber que pode dividir com ele emoções que só dividiria com alguém muito especial significa que ele não é qualquer um. Afinal, ele é um 'ALL STAR.'



PS: Esse texto foi postado com o intuito de ajudar a minha querida prima Isadora a perceber a importância de um All Star na vida da gente. Ela, que finalmente se rendeu 'ao clube' deve saber que agora a 'vida' e os 'momentos' dela começam. Bem-vinda ao clube priminha, você e o seu bebê roxo! Se liga, é assim que começa, depois do primeiro, não vai querer outra vida! ;)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Amigo querido...


Eu não posso acabar com todos os seus
problemas, dúvidas ou medos,
mas eu posso ouvir você e juntos podemos
procurar soluções.

Eu não posso impedir que você leve
tombos, mas posso oferecer minha mão para você
agarrar e se levantar.

Suas alegrias, triunfos, sucessos e
felicidades não me pertencem,
mas seus risos e sorrisos fazem parte dos
meus maiores bens.

Não é de minha alçada às decisões que
você toma, mas eu posso apoiá-lo encorajá-lo e ajudá-lo se
me pedir.

Eu não posso salvar o seu coração de ser
partido pela dor, pela mágoa, perda ou tristeza,
mas posso chorar com você e ajudá-lo a
juntar os pedaços.

Eu não posso dizer quem você é ou como
deveria ser: eu só posso amá-lo e ser sua amiga!


A todos os meus, faço dessas palavras as minhas. Para o que precisarem, eis-me aqui! ;)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Desse mal jamais serei...

Desse mal jamais serei
Acusado em julgamento
Pois cerne sempre terei
Consciencia em pensamento
---
Deus que está no céu e vê
Tudo o que aqui acontece
Na certa nos cobrará
O proceder que enfraquece
---
Temos sempre que ajudar
O que tropeça e cai
Pois é bem fácil julgar
Quem da retidão se esvai

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Felicidade Clandestina (CL.)


"Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Projeto paralelo... Dale Pitty!


O próprio nome já diz tudo. E finalmente, eis que veio a minha atenção, pelo twitter, um projeto da minha querida Pitty, juntamente com o Martin, guitarrista da banda dela. Chama-se "Agridoce". Por que será hein? :D
É lógico que a minha opinião sobre qualquer trabalho musical que envolva a Pitty nunca será levada em conta visto que sou super suspeita para falar, mas apesar disso, confirmo que o trabalho deles é super interessante. Vale a pena ouvir. Ainda que para chorar com a música tocando ao fundo.
As canções (apenas duas, até agora) têm um arranjo diferente do que estamos acostumados a ouvir a Pitty tocar. Em ambas, há apenas a presença do piano e do violão.
Logo que ouvi a canção 'Dançando' e 'Epílogos e Finais' me lembrei das trilhas sonoras de séries americanas que estou acostumada a assistir.
Esse Projeto AGRIDOCE vai deixar você com um gostinho diferente na 'boca'. Eu gostei muito! Não apenas por conta da Pitty ou porque tenho uma queda pelo Martin, mas principalmente porque as músicas são muito boas e me enche de entusiasmo vê-los inovando, tentando algo diferente.

Portanto, fica a dica! ;)

Ah, se alguém quiser ouvir é só chegar no MySpace deles: http://www.myspace.com/somagridoce

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Arte em Ser do Contra







Para a maioria das pessoas, ser do contra é visto como uma coisa ruim. A pessoa que não "vai com as outras" é vista como polêmica (alguém que gosta de causar). Não concordo com essa afirmação. Eu sou do contra!
A Arte DO SER do Contra não é assim. A pessoa que se enquadra nessa frase não é, necessariamente, aquela que se posiciona CONTRA a sociedade e/ou suas normas. Para mim, ser DO CONTRA é ser VOCÊ MESMO! Ainda que não se encaixe na opinião dominante, você é você, sem se importar.

Achei na internet uma explicação super legal sobre O SER do Contra. O texto dizia: "Ninguém gosta de soja, jiló, segunda-feira e você adora. Todo mundo se acaba em show de música e você cochila. ToDo MUndU EsCrEvE Axim e ErRaDu, porque eH mudernU, bunitinhU e você insiste em escrever o seu idioma corretamente."


Basicamente, é assim que o Ser do Contra se comporta. Ele vive num mundo onde se enquadrar sem se encaixar não funciona. O Ser do Contra tem personalidade. Ele "aceita os meios pra alcançar o fim". E qual o problema em ser diferente?

Se você gosta de preto quando todo mundo gosta de rosa, beleza! É o seu gosto! Por que tem que mudar? Se você é carioca e odeia sol, uhuull! Não é só porque nasceu no Rio que tem que gostar de sol, praia e bronze. (Mas é meio estranho não gostar rs)

Portanto, assuma seus gostos. Se você não é do contra, beleza! Você não é! Se você se enquadra, beleza também. Mas tenha personalidade! Assuma-a. Gostando do que todo mundo gosta ou não. Todos temos o direito de escolha. Ainda que alguém que a gente conheça pense ou diga que não temos ou que não tivemos.

Eu Sou do Contra. Dentro das minhas limitações e do meu mundo.




POEMINHA DO CONTRA

"Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!"

(Mário Quintana)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

... Ela (CL.)



"... Ela, na sua magnífica força e coragem, aprendeu a ser livre; a gritar quando tem vontade, a chorar quando precisar chorar e a sorrir mesmo quando a situação não permitir sorrir. E, perante os olhos intimadores das pessoas e de tamanha curiosidade, ela levantou a cabeça e mostrou que não era uma boneca de porcelana, mas que podia ser quebrada várias vezes e que sempre conseguia se juntar sem perder nenhum dos pedaços".

quarta-feira, 23 de junho de 2010

No Recreio (Cássia Eller)

Quer saber quando te olhei na piscina
Se apoiando com as mãos na borda
Fervendo a água que não era tão fria
E um azulejo se partiu porque a porta
Do nosso amor estava se abrindo
E os pés que irão por esse caminho
Vão terminar no altar, eu só queria me casar
Com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
Então quero mudar de lugar, eu quero estar no lugar
Da sala pra te receber
Na cor do esmalte que você vai escolher
Só para as unhas pintar
Quando é que você vai sacar?
Que o vão que fazem suas mãos
É só porque você não está comigo

Só é possível te amar...

Seus pés se espalham em fivela e sandália
E o chão se abre por dois sorrisos
Virão guiando o seu corpo que é praia
De um escândalo charme macio
Que cor terá se derreter?
Que som os lábios vão morder?
Vem me ensinar a falar
Vem me ensinar ter você
Na minha boca agora mora o teu nome
É a vista que os meus olhos querem ter
Sem precisar procurar
Nem descansar e adormecer
Não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
Olhar pro sol só ver janela e cortina
No meu coração fiz um lar
O meu coração é o teu lar
E de que me adianta tanta mobília
Se você não está comigo

Só é possível te amar
Ouve os sinos, amor
Só é possível te amar
Escorre aos litros, o amor


*AMO INCONDICIONALMENTE ESTA CANÇÃO!!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Prêmio Dardos


Pois bem, como me foi recomendado, aqui estou para divulgar o prêmio Dardos que é dado a pessoas que de alguma maneira engrandecem o nosso limitado conhecimento.
Eu o recebi da Natty e confesso estar honradíssima pela indicação. Ao menos ela se dá ao trabalho de ler as bobagens que vez por outra resolvo postar aqui. E se bem a conheço, tenho certeza que a indicação foi sincera.

Agora é a minha vez de indicar outras pessoas (15 né) para receberem o prêmio também.
Acredito que não passarão de 10, e isso sendo otimista, mas vou tentar.

Não planejei uma ordem, mas a 1ª pessoa da lista merece realmente o 1º lugar.
Como foi ela quem me incentivou a ter um blog, a pensar publicamente, por assim dizer, o podium vai para ela, (pena que ela parou de postar, porque escreve lindamente bem) mas...

Recebendo a indicação, faça o seguinte:

Tarefas: Quem recebe o selo Dardos deve (1) exibir a imagem do selo em seu blog; (2) linkar o blog pelo qual recebeu a indicação; (3) escolher outros 15 (quinze) blogs a quem entregar o prêmio Dardos e (4) avisar os escolhidos.



Vâmos lá:


Wendy White Poulain

Natty

Lucy Queen

Bolacha

Betah Soarez

Rachel Cordeiro

Blogildo

Carol Molais

Lilia Celestino

Leilah

Prof. Dilson Catarino

sábado, 5 de junho de 2010

"Às vezes me dá enjoo de gente..." CL



"Sra Clarice, eu sinto a mesma coisa."

Estas seriam minhas palavras caso pudesse dizê-las pessoalmente.

Sempre que leio as obras de Clarice Lispector me identifico com seus devaneios. E quem não?
Esta frase é uma das mais singulares pra mim, porque eu realmente enjoo de gente, às vezes. E nessas horas é bom recorrer a um gato. Sim, um gato. Afagá-lo pensando na vida é uma boa maneira de colocar a mente no lugar, de relaxar, de ficar só sem estar só...

Para quem tem um gato, aqui vai um conselho: faça isso. É tão bom.



Muita coisa a escrever, mas agora ainda não é hora. Não afaguei meu gato o suficiente. Ainda estou enjoada.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

MANUSCRITO


Passei os últimos dias ouvindo o novo CD da SANDY LEAH e é um grande motivo de orgulho dizer que as canções estão I N C R Í V E I S ! ! !

Eu, que acompanho a carreira dela desde que me entendo por gente, na verdade, até mesmo bem antes disso, acho notória a evolução dela como artista e principalmente como pessoa.

Me parece que aos 27 anos de vida e 20 de carreira, Sandy se deparou como várias das respostas que vinha buscando. E o que muito me alegra é a maneira como ela deixa transparecer isso. E as canções evidenciam, sim, essa nova fase que ela está vivendo.

É óbvio que sou super suspeita para falar da SANDY LEAH LIMA. Até porque alimento por ela um carinho imenso e aprecio muito o trabalho dela, além de me identificar pra caramba com ela, como pessoa, com respeito a algumas atitudes, alguns pensamentos, a maneira de ver as coisas, quase sempre pelo mesmo olhar, enfim... Por tudo isso pode parecer parcial o meu conceito sobre essa cantora. Mas não é, não. Bem, eu me esforço muito para que não seja.

Confesso que quando paro para ouvir Manuscrito, me pego fazendo as mesmas perguntas que ela e chegando as mesmas conclusões.

As canções estão lindas, com arranjos super clássicos, tendo o piano como base para várias músicas. Eu amei! É impossível ouvir o CD sem citar algumas faixas que ficam na mente. Por exemplo, a canção 'Duras Pedras' traz uma frase que diz tudo; "Viver tem suas mortes". Já a canção 'Dias iguais' além de quase me fazer chorar cita; "Dias iguais são como rio correndo pra trás. Não deságua em nenhum lugar". 'Ela/Ele' e 'Perdida e salva' são as mais românticas, que por sinal são fofas. As mais reflexivas são 'Pés cansados', 'O que faltou ser', 'Quem eu sou' e 'Tão Comum' que são minhas favoritas. Mas uma que eu amo demais cantar é 'Sem Jeito'. Essa, para mim, é a mais show de todas!

Então só para se ter o gostinho do que eu quis dizer quando resolvi postar esse texto, segue-se a letra da canção Tão Comum, que reflete essa nova Sandy.



Tão Comum

Se você me perguntar o que é que eu tô fazendo
Eu digo que não sei
Se você me perguntar o que eu quero do futuro
Eu digo que não sei

Só sei que eu espero que a vida me mande algo bom
Só sei que eu não quero cantar minha trilha fora do tom

Tão comum
Se arriscar sem saber cem por cento se é bom
Tão comum
Sonhar mais alto do que se pode crer
Tão comum
Errar ao conjugar o verbo querer
Tão comum
Errar, errar e errar de novo

Se a consciência me chamar disser que eu não posso
Eu digo que não sei
Assumo os meus desejos, tento saciar a sede
Daquilo que nem sei

Só sei que eu espero que a vida me mande algo bom
Só sei que eu não quero cantar minha trilha fora do
tom

Tão comum
Se arriscar sem saber cem por cento se é bom
Tão comum
Sonhar mais alto do que se pode crer
Tão comum
Errar ao conjugar o verbo querer
Tão comum
Errar, errar e errar de novo

Tantas perguntas a responder
O que é certo? O que é bom e o que é real?
Antes de dar resposta
É preciso aprender a perguntar

domingo, 23 de maio de 2010

Plante uma árvore!


Hoje tive o prazer de ajudar a plantar algumas árvores.
Deus, como isso cansa! Mas o resultado é benéfico para todo mundo!
Eis o processo na imagem acima.
Sem mais delongas, fico por aqui. Já é tarde e o que mais quero e preciso hoje é descansar!
Sigam o bom exemplo e façam o mesmo. O planeta agradece! ;)



ps: Não apareço nas fotos acima pq não lembrei de levar a câmera para registrar esse acontecimento memorável. Mas eis todo o processo explicadinho nas fotos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Agradeça!



Quantas pessoas você conhece que não estão felizes com a vida que levam? Ou com o corpo que têm? Ou com as coisas que possuem?
Eu poderia dizer que 2/3 das pessoas que eu conheço não estão nada felizes.
A verdade é que bem poucas se contentam com o que já têm. Viver em uma sociedade capitalista tem dessas coisas. As pessoas se tornam extremamente consumistas. Se preocupam tanto em conseguir cada vez mais o que desejam que se esquecem de demonstrar gratidão pelo o que já possuem.
Por isso, eu incentivo você, caro leitor, a agradecer.
Agradeça por sua vida.
Agradeça por sua saúde, ainda que seja relativa.
Agradeça pelo alimento do dia.
Agradeça pelos objetivos já conquistados e pela maneira como chegaram até você.
Agradeça pelos dias felizes e pelas risadas sem motivo.
Porém, agradeça também pelo dia de chuva que te fez cancelar a praia do final de semana. Agradeça os fortes ventos que atrapalharam a tua net 3g. Agradeça o intenso calor que te fez torrar até chegar ao trabalho. Mas, acima de tudo, agradeça por ter acordado bem e disposto todos esses dias para ter vivido todos esses acontecimentos.

Simplesmente AGRADEÇA.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Agora sim Rio!!!



É com imensa alegria que posto o texto de hoje.
Para os ansiosos de plantão, que assim como eu, aguardavam a feliz notícia de termos junto a nós mais duas brilhantes jogadoras da seleção feminina de vôlei, digo orgulhosamente que a feliz notícia foi finalmente confirmada. E este ano teremos a nosso favor, jogando com a Unilever, as queridíssimas Mari e Sheilla.
Ambas, que anteriormente jogavam pelo São Caetano, assinaram contrato com a Unilever para o ano de 2010/2011.
Parece que o incidente com a torcida carioca no último confronto entre Unilever e São Caetano não impediu a Mari de aceitar a proposta de jogar aqui no Rio.
Com essa boa notícia confirmada, teremos em nosso benefício cinco das maiores e melhores jogadoras do mundo!
Que sejam bem vindas!!!

Com certeza estarei lá para apreciar de perto o desempenho delas e tirar a minha tão aguardada foto, claro! rs

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O ESPELHO (MACHADO DE ASSIS)



“(...) - Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação.”


Um grupo de senhores, por várias noites, reuniu-se para discutir sobre os assuntos de alta transcendência – coisas metafísicas. No grupo, um dos participantes se destacava pelo silêncio. Numa das noites, incitado por um dos participantes, o casmurro usou a palavra – narraria um fato de sua vida e não consentia réplica. Não se tratava de opinião ou conjectura, era apenas uma demonstração da matéria debatida.
“Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas...” A afirmação causa perplexidade, mas o narrador não se intimida e reitera que existem duas almas: uma exterior, outra, interior... A alma exterior não é sempre a mesma, modifica-se com as circunstâncias. As duas juntas, metafisicamente, se completam, quem perde sua alma exterior vive incompletamente, e há caso de pessoas que perdem a existência inteira.
O homem continua relatando sua experiência de quando tinha 25 anos e fora nomeado alferes da Guarda Nacional. Tornou-se o centro de atenção de sua humilde família e passou a ser identificado como o Sr. Alferes.
Não tardou e uma tia que morava a algumas léguas, convidou-o a passar alguns dias em sua casa, com a farda naturalmente. Os dias passavam nas formalidades próprias de uma autoridade. A grande relíquia da casa, um grande espelho, fora colocado em seu quarto como sinal de admiração e orgulho.
“- O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se, mas não tardou que a primeira cedesse à outra; ficou-me uma parte íntima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente, a outra dispersou-se no ar e no passado.”
Ocorreu o imprevisto e a tia teve que se ausentar por alguns dias. Restaram os escravos que utilizaram suas cortesias e louvores “Nhô Alferes é muito bonito, nhô alferes há de ser coronel”. Um concerto de louvores escondia suas reais intenções. Na manhã seguinte, todos haviam fugido.
O homem, após alguns dias, no silêncio vasto tornara-se um boneco que mal comia, seu corpo era dominado de dor ou cansaço, nada mais... Durante muitos dias não se olhou no espelho num impulso inconsciente, mas findo oito dias olhou-se no espelho com o fim de encontrar-se dois, mas o que viu foi uma figura vaga, dispersa, mutilada... Sabia que pelas leis físicas aquilo não era possível, mas sua sensação era real – o espelho refletia uma decomposição de contornos. Em desespero, em meio a feições fragmentadas, teve a idéia de vestir a farda de alferes e tornou a mirar-se. O homem, alferes, enfim, havia encontrado sua alma exterior.
“Essa alma ausente com a dona do sítio, dispersa e fugida com os escravos, ei-la recolhida no espelho.”

terça-feira, 27 de abril de 2010

Alice! Simplesmente incrível!



Estrelado por Jhonny Deep, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter e apresentando Mia Wasikowska como a protagonista Alice.

Simplesmente incrível!
Vale muito a pena assistir. Principalmente em 3d.
Johnny Depp está impecável como sempre! (Continuo querendo ele de presente...) E Anne Hathaway também está fabulosa!

Fica a dica!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O gato sou eu [crônica] (Fernando Sabino)



Aí então, eu sonhei que tinha acordado. Mas continuei dormindo.
- Continuou dormindo.
- Continuei dormindo e sonhando. Sonhei que estava acordado na cama, e ao lado, sentado na cadeira, tinha um gato me olhando.
- Que espécie de gato?
- Não sei. Um gato. Não entendo de gatos. Acho que era um gato preto. Só sei que me olhava com aqueles olhos parados de gato.
- A que você associa essa imagem?
- Não era uma imagem: era um gato.
- Estou dizendo a imagem do seu sonho: essa criação onírica simboliza uma profunda vivência interior. É uma projeção do seu subconsciente. A que você associa ela?
- Associo a um gato.
- Eu sei: aparentemente se trata de um gato. Mas na realidade o gato, no caso, é a representação de alguém. Alguém que lhe inspira um temor reverencial. Alguém que a seu ver está buscando desvendar o seu mais íntimo segredo. Quem pode ser essa alguém, me diga? Você deitado aí nesse divã como na cama em seu sonho, eu aqui nesta poltrona, o gato na cadeira… Evidentemente esse gato sou eu.
- Essa não, doutor. A ser alguém, neste caso o gato sou eu.
- Você está enganado. E o mais curioso é que, ao mesmo tempo, está certo, certíssimo, no sentido em que tudo o que se sonha não passa de uma projeção do eu.
- Uma projeção do senhor?
- Não: uma projeção do eu. O eu, no caso, é você.
- Eu sou o senhor? Qual é, doutor? Está querendo me confundir a cabeça ainda mais? Eu sou eu, o senhor é o senhor, e estamos conversados.
- Eu sei: eu sou eu, você é você. Nem eu iria pôr em dúvida uma coisa dessas, mais do que evidente. Não é isso que eu estou dizendo. Quando falo no eu, não estou falando em mim, por favor, entenda.
- Em quem o senhor está falando?
- Estou falando na individualidade do ser, que se projeta em símbolos oníricos. Dos quais o gato do seu sonho é um perfeito exemplo. E o papel que você atribui ao gato, de fiscalizá-lo o tempo todo, sem tirar os olhos de você, é o mesmo que atribui a mim. Por isso é que eu digo que o gato sou eu.
- Absolutamente. O senhor vai me desculpar, doutor, mas o gato sou eu, e disto não abro mão.
- Vamos analisar essa sua resistência em admitir que eu seja o gato.
- Então vamos começar pela sua insistência em querer ser o gato. Afinal de contas, de quem é o sonho: meu ou seu?
- Seu. Quanto a isto, não há a menor dúvida.
- Pois então? Sendo assim, não há também a menor dúvida de que o gato sou eu, não é mesmo?
- Aí é que você se engana. O gato é você, na sua opinião. E sua opinião é suspeita, porque formulada pelo consciente. Ao passo que, no subconsciente, o gato é uma representação do que significo para você. Portanto, insisto em dizer: o gato sou eu.
- E eu insisto em dizer: não é.
- Sou.
- Não é. O senhor por favor saia do meu gato, que senão eu não volto mais aqui.
- Observe como inconscientemente você está rejeitando minha interferência na sua vida através de uma chantagem…
- Que é que há, doutor? Está me chamando de chantagista?
- É um modo de dizer. Não vai nisso nenhuma ofensa. Quero me referir à sua recusa de que eu participe de sua vida, mesmo num sonho, na forma de um gato.
- Pois se o gato sou eu! Daqui a pouco o senhor vai querer cobrar consulta até dentro do meu sonho.
- Olhe aí, não estou dizendo? Olhe a sua reação: isso é a sua maneira de me agredir. Não posso cobrar consulta dentro do seu sonho enquanto eu assumir nele a forma de um gato.
- Já disse que o gato sou eu!
- Sou eu!
- Ponha-se para fora do meu gato!
- Ponha-se para fora daqui!
- Sou eu!
- Eu!
- Eu! Eu!
- Eu! Eu! Eu!



in: fragmento retirado do livro O gato sou eu.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Todo mundo merece uma segunda chance?


Muito foi dito, muito foi polemizado, muito foi especulado sobre o recente vencedor do BBB10, Marcelo Dourado. Mais do que polêmico, Marcelo foi um grande estrategista, impecável jogador e contou um pouco com uma certa ajuda da sorte. Talvez isso o tenha feito ganhar o jogo, e é claro, o favoritismo do grande público; sua habilidade em jogar. Mas isso não foi o que mais me fez percebê-lo em ação.
Não acompanhei muito esse BBB10, mas o que vi me possibilitou enxergar qualidades em um ser humano, apesar de suas falhas e ignorância em determinados assuntos.
Então, vâmo lá? O que me chamou a atenção nesse "Ogro domesticado"?
Primeiro, logo no início do jogo fiquei muito impressionada por vê-lo chorar. Quem me conhece sabe que não resisto ao choro de um homem. Ainda mais quando este chora por ter sido rejeitado. De verdade, deu vontade de acolhê-lo, colocar no colo, abraçar, essas coisas, que de bom grado fez a Lia.
Segundo, seu espírito de vencedor. Nem de longe qualquer outra pessoa na casa do BBB tinha explícita no olhar a ânsia pela vitória. Não apenas por necessidade ou sonho a realizar, mas também para a sua própria superação. E como pequena esportista que sou bem sei que tal ânsia é NATA em um atleta, que dirá em um samurai.
Terceiro e não menos importante, foi "dito" a ele, meio como um pré-aviso: VOCÊ TERÁ UMA SEGUNDA CHANCE. NÃO A DESPERDICE!
O que faz de nós merecedores de uma segunda chance? O que nos torna capacitados para recebê-la? O que seria:
- As grandes burradas que cometemos ao longo da vida e que lutamos inutilmente para consertar?
- A necessidade de andar de cabeça erguida por tentarmos e tentarmos dar o nosso melhor sempre?
- A humildade com que lidamos com os problemas da vida mesmo quando somos esmagados por eles?
- A coragem por dar a cara para bater mesmo sabendo que a vida não será nem um pouco amigável?
- Simplesmente perder a fé?
Qualquer que seja a razão que nos faça merecer uma segunda chance não anula a razão que fez de Marcelo Dourado um merecedor.
Não estou aqui nem para fazer dele um heroi nem para torná-lo o vilão da história. Até porque não estou levando nem um centavo do 1,5 milhão que ele ganhou, e, sua vida em si (seus ideais, suas escolhas, a quantidade exorbitante de palavrões que fala, suas tatoos polêmicas, ou sua orientação sexual) não me diz respeito. Não tenho nada a ver com isso, apesar de ter, sim, uma opinião sobre, mas, nas palavras de C.B Jr: "eu estou aqui pra aprender, não pra julgar".
Percebi que, as marcas levemente cicatrizadas na sua alma faz com que lembremos de nossas próprias feridas. Sua capacidade de sempre se reerguer, como bom lutador que é, depois de cair de cara inúmeras vezes não o impediu de se jogar. Pelo contrário, fez com que seu voo fosse ainda mais plano e mais alto. As várias tentativas na decolagem permitiram a ele uma experiência que só se adquire quando se tenta, quando se tenta muito.

É por isso que eu sempre digo: SE JOGA!!!


PS: TER POSTADO ESSE TEXTO AQUI NÃO FAZ DE MIM UMA HOMOFÓBICA OU FAZ?!?!?! o.O

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pés Cansados (Sandy Leah)



Fiz mais do que posso
Vi mais do que aguento
E a areia nos meus olhos
É a mesma
Que acolheu minhas pegadas

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você
Pra você.

Eu lutei contra tudo
Eu fugi do que era seguro
Descobri que é possível
Viver só
Mas num mundo sem verdade

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você, pra você.

Sem medo de te pertencer
Voltam pra você.

Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
E os mesmos pés cansados
Voltam pra você.

Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados
Voltam pra você
Pra você.



*(Orgulho dessa guria, canção linda! Ameiii)

domingo, 28 de março de 2010

Eu sei, mas não devia (Marina Colasanti)


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti in "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco.